SINCRONICIDADE E EXPRESSÃO: uma pesquisa


A fascinação que a abordagem oriental exerce sobre mim é reforçada pela maneira mítica e presencial de ser apreendida entre os povos indígenas, e me exponho sem barreiras, a elas, nestes 25 anos. Estas duas maravilhosas lições de viver indicam que o estar em presença no aqui-agora é o único caminho para a criação e expressão.

O viver aqui-agora, prática absolutamente aceita, desenvolvida e buscada pelos artistas, especialmente de Teatro, nos propõe uma dedicação tão integral ao que se está fazendo, que cada experiência permite ultrapassar o sentido rasteiro de tempo e espaço. Dez anos podem ser ultrapassados em segundos, se observarmos alguns saltos qualitativos no processo criativo de algumas obras e ações artísticas. Quando mergulhados numa dimensão elevada do tempo/espaço, nossa percepção e atos perdem autoria e propriedade, o senso de individualidade se mescla no de coletividade, e nos colocamos como observadores, permitindo um diálogo com a linha condutora da Sincronicidade.

 

Para que esta atitude abranja nossas ações, fui desenvolvendo e difundindo treinamentos, práticas e cursos, e, especialmente, abrindo-me para vários diálogos e frutos. Desde as mais tenras experiências no campo do Teatro Popular, Teatro de Grupo até as mais recentes de teatro-dança, dança-poesia, educação/saúde/arte, instalações, percursos interativos, roteiros, vídeos documentais e participativos, performances, desenhos, etc., notamos uma tendência a atitude poética e performática, onde vida e arte se identificam.

Busquei a convivência com alguns grupos indígenas brasileiros, entre 1985 e 1989, especialmente os parentes Nhambiquara. A abertura de consciência que isto proporcionou, reforçando o sentido performático dos trabalhos que realizo, promoveu um salto da visão da representação para a de proposição, do teatro em sentido restrito, para as artes integradas e participativas, ou seja, para o teatro enquanto conhecimento, numa exposição de expressão múltipla das nossas incontáveis possibilidades, interações e infinitas visões de mundo.

Em concomitância com a experiência nas aldeias fiz um mergulho no universo oriental. Estudos, referências e as práticas orientais, chinesas e japonesas e tibetanas permeiam minha vida e proposições artísticas. A estética e as práticas corporais e artísticas como Butoh, Teatro Noh, Tai Chi, Lian Gong e Ba Gua, dentre outras conferiram às minhas pesquisas, performances e proposições, o cultivo de disciplina e métodos e a potencialização do campo energético, promovendo o estado de presença que considero fonte e fim, de onde tudo parte e para onde tudo converge na experiência performática da arte vinculada à vida.

Minha meta, meu sonho em vida é o mergulho num campo desconhecido, impalpável e invisível:o ato em si de sair de um território pessoal conhecido e mergulhar no vazio de novas experiências e referências, encontrar o caos e de lá voltar com uma perspectiva outra, de outrem, sendo outrem.

Conheça mais sobre o trabalho em : www.viapolitica.com.br - difusão de textos, poemas, pequenas peças e histórias, sons e imagens.

Abstract
The fascination that the eastern approach carries about me is reinforced by the mythical and aware way of life among the indigenous people, and I exposed myself to both, without frontiers, since 1985. These two wonderful lessons of living indicate that to be in presence, in the here-now, is the only way for the creation and expression.)

To live here and now, absolutely accepted, developed and searched practice by the artists, especially from Theatre, proposes us a so integral dedication to what is being done, that each experience allows us to overstep the rough sense of time and space. Ten years can be overcome in seconds, if you look some qualitative jumps in the creative process of some artistic works and actions. When immersed on a high dimension of time / space, our perception and acts lose authors and property, the sense of individuality is
Mix in the community, and we placed ourselves as observers, allowing a dialogue with the conductor line of Synchronicity.

For that this attitude can cover our actions, I was developing and disseminating training, practices and courses, and, especially, opening myself to various dialogues and fruits. Since the most tender experiences in the field of the Popular Theatre, Theatre of Group, up latest in theatre-dance, dance-poetry, education / health / art, installations, interactive pathways, scripts, documentary and participative videos, performances, drawings, etc., it is noticed a tendency to poetic attitude and performance, where life and art are identified.)

I went to live with some indigenous Brazilian groups, between 1985 and 1989, especially the relatives Nhambiquara. The opening of consciousness that this
provided, reinforced the performing sense of my work, promoting a leap of vision: from presentation to proposition, from theatre in restricted order to integrative and participative arts, for the theatre as knowledge, on a display of multiple expression of our endless possibilities, interactions and visions of world.

Concurrently with the experience on the tribes, I made a diving in eastern universe. Chinese, Japanese and Tibetan studies, references and practices permeate my life and artistic propositions. The aesthetics, physical and artistic practices as Butoh, Drama Noh, Tai Chi, Lian Gong and Ba Gua, Shodo, Utai, among others, have given my researches, performances and propositions, the cultivation of discipline, some methods and the potentiality of the energy field, advancing the state of presence (awareness) that I find source and order, where everything starts and converges in the performative experience of art linked to life.

My goal, my dream in life is the diving in an unknown field, untouchable and invisible: the act itself of emerging from a personal known territory and dive in the emptiness of new experiences and references, finding the chaos and from there coming back with a another perspective, of other, being another.

 

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