Exposição Ex | Certo - Novembro de 2011
     
     
 

A necessidade de assumir os próprios gestos é, provavelmente, uma das etapas mais significativas da formação de um artista que, nesse trajeto deve enfrentar suas hesitações e certezas para que delas possa extrair os elementos de suas proposições em Arte.
Trata-se de um movimento que parece maior quando o artista encontra-se no inicio de suas investigações, especialmente quando parte de suas escolhas está ainda bastante vinculada ao processo de estudo e formação universitária. Contudo, é oportuno lembrar que esse desafio é parte integrante do projeto artístico por completo e como tal, deverá ser conciliado a cada nova proposição da trajetória artística a ser criada.
Parte e todo são, dessa forma, elementos sempre presentes na contínua construção poética do sujeito artista que busca, tal qual nos indica Piero Manzoni, o encontro entre sua mitologia individual e a mitologia universal.
“Ex|certo”, título da exposição aqui apresentada, compila extratos da pesquisa artística elaborada, nos últimos anos, por um grupo de jovens artistas que aceitaram romper a hesitação da exposição de seus trabalhos em um ambiente desprotegido do caráter universitário. O grupo presente depara-se assim, com uma das faces mais difíceis de sua formação como artista: aquela que se organiza do lado de fora, que está inserida no circuito profissional tomado por outras urgências, predileções e olhares.
Chegar até essa etapa do Projeto “Propostas Artísticas”, que nesse ano de 2011 efetiva sua segunda edição, exigiu trabalho árduo de todos os integrantes: docentes do nosso Curso e Departamento, alunos formandos, comissão organizadora, artistas, instituições parceiras e demais convidados externos, que, ao longo de um ano de negociações, dentre reuniões, palestras, estudos de portfólio e assessorias colaboraram para a revisão do Projeto.
Nessa edição, a introdução de visitas e conversas com artistas convidados a dividir seus processos de criação, bem como sua organização e apresentação de trabalhos, foi sugestão derivada das discussões com os alunos representados nesse grupo por Laura Françozo e Lívia Diniz cujo intermédio e presença foram decisivos para os bons alcances do trabalho da Comissão de Organização do Projeto.
As trocas ocorridas nos encontros com os artistas: Pilar Sallum, Adalgisa Campos e Rafaela Jemmene trouxeram à tona as intenções da criação artística e suas reverberações nos circuitos contemporâneos iniciando o espectro de valores extramuros fundamental para o bom desenvolvimento dos trabalhos. A participação de Eduardo Brandão nas visitas ao nosso Departamento e Ateliês/Laboratórios foi essencial para que o olhar externo pudesse estabelecer uma presença agregadora aos planos individuais e coletivos em andamento. Dessa mesma forma, o peso da representação interna foi também garantido nas etapas de finalização e seleção dos trabalhos pela participação de Marco do Valle, professor eleito pelos alunos como representante das disciplinas de Laboratório, espaço onde se originam muitas das propostas ora apresentadas.
A seleção final revelada em “Ex|certo” faz uso das linguagens de vídeo, fotografia, instalação artística, desenho, gravura, livro de artista, objeto, frotagem e colagem. Percebe-se no conjunto gestado a qualidade contemporânea da pesquisa híbrida que não se conforma na rigidez da técnica pura, mas sim avança dela para elaborar novos espaços de diálogo e poéticas próprias. As propostas criadas pelo grupo trazem experimentações de relevos de argila fresca, colagem digital, a exploração de padronagens conseguidas por meio de frotagem, a maleabilidade possível do desenho a partir de distintos suportes, transparências e ambientes do micro ao macrocosmo, tanto quanto nos tomam pela distinta sensorialidade evocada nas dimensões aplicadas aos trabalhos instalados no espaço expositivo do SESC Campinas.
O momento sensível de transição no qual se posiciona esse Projeto expositivo com alunos formandos de nosso Curso de Graduação em Artes Visuais também incorpora expectativas frustradas, ajustes, adiamentos de planos ou mudanças de percurso que fazem parte do rito da passagem para o próximo nível de comprometimento com o trabalho artístico.
Em muitas peças, o elemento da repetição coloca-se como estratégia criativa que ativa a construção dos trabalhos selecionados para a exposição. Podemos dizer que o dado da repetição bem localiza um dos objetivos caros ao Projeto; isto é, o que se espera é que o extrato dessa produção jovem possa desdobrar-se, ampliar-se e repetir-se mais vezes em novos contextos, futuros excertos dessa experiência de passagem.

Sylvia Furegatti
Lucia Fonseca

 

 
Ex | Certo
 
     
     










laranja
  Direitos reservados - Instituto de Artes da Unicamp - HOME | CRÉDITOS | CONTATO  
Site Propostas Artisticas dos Alunos do Curso de Artes Visuais da Unicamp