Departamento de Artes Plásticas

A intenção de criar um curso de artes visuais na Universidade Estadual de Campinas remonta ao ano de 1976, quando o então Coordenador Geral dos Institutos, Professor Rogério Cerqueira Leite convidou os artistas plásticos Álvaro de Bautista e Fúlvia Gonçalves a integrar o corpo docente do Instituto de Artes. Em 1978, foi oferecido o primeiro curso de livre de Desenho, Pintura e Escultura para a comunidade intra e extra-muros. Seguiram-se diversos outros cursos livres e de extensão, com o objetivo de “incentivar o fazer expressivo como processo de comunicação artístico”. Os cursos eram independentes e as aulas ocorriam no chamado Ateliê Paviartes, hoje ocupado pelos Cursos de graduação em Dança e Artes Cênicas, assim como no Ciclo Básico.

Em abril de 1983, foi instalado o Departamento de Artes Plásticas, contando então com cinco membros: professores Álvaro de Bautista, Fúlvia Gonçalves, Berenice de Toledo, Rosa Yagüe Martin e Bernardo Caro, eleito então chefe do departamento. No final desse mesmo ano, os professores Marco Antonio Alves do Valle, Lúcia Eustachio Fonseca Ribeiro e Suely Pinotti incorporaram-se ao quadro docente, que continuava porém reduzido. A necessidade da contratação de novos docentes tornou-se clara após o início da primeira turma do curso de graduação de Bacharelado e Licenciatura em Educação Artística, em 1984, com vinte alunos, de duração prevista de quatro anos. Entre 1984 e 1986 foram contratados nove artistas-professores, permitindo a estruturação do curso de graduação em bases mais sólidas, com a criação de diferentes áreas de atuação (pintura, gravura, cerâmica, teoria etc.). Os anos seguintes foram marcados por alterações significativas no quadro docente do Departamento, com o desligamento de alguns de seus primeiros integrantes e a contratação gradativa de novos professores, de acordo com as necessidades reais do curso de graduação em Educação Artística.

Cabe ressaltar que o corpo docente do Departamento de Artes Plásticas, em sua maioria, era então formado por artistas de formação independente e alguns artistas-professores com formação universitária mas sem titulação, fato este que se explicava pela ausência de cursos de pós-graduação em artes visuais no país. A instauração do Projeto Qualidade, no início da década de 1990, criou novas exigências para a contratação de docentes na Unicamp e estabeleceu metas e parâmetros de qualificação dos professores já contratados. A especificidade dos cursos oferecidos pelo Instituto de Artes fez com que fosse então criada uma carreira paralela à do Magistério Superior, para abrigar artistas de indiscutível competência em sua área de atuação mas sem titulação acadêmica. No caso do Departamento de Artes Plásticas, isto ocasionou, por um lado, a incorporação de profissionais com formação diversa dos anteriores, artistas-professores com formação universitária e que já possuíam título de mestre e/ou doutor ou iniciavam seus cursos de doutorado e, por outro lado, a pressão por maior qualificação de parte significativa do corpo docente. Entretanto, é indiscutível que os dois tipos de profissionais distintos – os artistas com formação não acadêmica (carreira do Magistério Artístico) e os artistas/professores doutores (carreira do Magistério Superior) – devam coexistir no departamento pois ambos são essenciais na formação do jovem artista/pesquisador, já que a vivência artística é sensivelmente diversa nos dois casos.

A criação do Curso de Graduação em Arquitetura e Urbanismo, em 1999, sob responsabilidade partilhada com a Faculdade de Engenharia Civil e o Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, possibilitou a incorporação paulatina de mais cinco docentes ao quadro do Departamento. Estes docentes, responsáveis por disciplinas específicas da área de Arquitetura, colaboram também com o Curso de Graduação em Educação Artística e o Programa de pós-graduação em Artes.

Embora instalado e em funcionamento desde 1983, o Departamento de Artes Plásticas foi implantado definitivamente apenas em 2000. Tal situação deu-se devido a exigências precisas contidas no artigo 149 do Regimento Geral da Universidade.