Aprendizagem Colaborativa e Cooperativa


Neste momento é importante ressaltar que quando referimos aprendizagem em grupo estamos suscitando aprendizagem colaborativa ou cooperativa. Alguns pesquisadores preferem definir colaboração como uma junção de contribuições pelos componentes do grupo, sem com que estes tenham a preocupação em executar um trabalho em comum; e cooperação como a inter-relação entre sujeitos que operam conjuntamente tarefas específicas a fim de alcançar um objetivo em comum. Outros pesquisadores definem colaboração e cooperação exatamente como o inverso do que foi descrito. No entanto, adotaremos neste trabalho as primeiras definições apresentadas acima.


Piaget (1973) escreveu que “cooperar na ação é operar em comum, isto é ajustar por meio de novas operações (qualitativas ou métricas) de correspondência, reciprocidade ou complementaridade, as ações executadas por cada um dos parceiros”.

Numa relação sujeito-objeto, o conhecimento não está nem no sujeito e nem no objeto, mas na interação entre eles, ou seja, interações inter-individuais. Destarte, entendemos que aprendizagem cooperativa/colaborativa está relacionada com a qualidade dessa interação. A teoria de Piaget fomenta as trocas coletivas, o energético e o simbólico constituído pelos significantes convencionais às interações coletivas.

A teoria da Epistemologia Genética de Piaget nos mostra que os indivíduos se desenvolvem intelectualmente a partir de exercícios e estímulos oferecidos pelo meio que os cercam e que o comportamento é construído numa relação entre meio e o indivíduo.

As ferramentas dos ambientes virtuais são um importante recurso para promover a troca de informações entre os aprendizes para a construção do conhecimento. Essa interação inter-individual possibilita apresentar, constantemente ao aprendiz, situações problema, para que cada um possa colaborar e alcançar um determinado resultado almejado pelo grupo. Por isso também é importante lidar com as expectativas dos estudantes de diferentes tipos, meios e questões sociais diversas.

A cooperação também favorece o equilíbrio nas trocas sociais, segundo Piaget (1973) “o ser social demais alto nível é aquele que consegue relacionar-se com seus semelhantes de forma equilibrada”. Piaget relata ainda que nas interações inter-individuais encontramos na sua estrutura a existência de regras, os valores que regem as trocas coletivas como o energético e o simbólico constituído pelos significantes convencionais às interações coletivas.

Paralelo aos fatos sociais encontramos nos fatos mentais na estrutura e operação/cognição, no estratégico o afetivo e no simbólico os índices ou símbolos. O sentido da cooperação é buscar um equilíbrio entre as trocas sociais.

O conceito de cooperação também é ressaltado por Vygotsky (Vygotsky apud Taille et al, 1993) que pressupõe que a aprendizagem desperta processos internos de desenvolvimento que só pode ocorrer quando o indivíduo interage com outras pessoas.

Argyle (1991) define cooperação como agir em conjunto, de um modo coordenado no trabalho ou em relações sociais para atingir objetivos comuns; desfrutar de uma atitude conjunta ou simplesmente desenvolver uma relação. McConnell (1994) afirma que a cooperação é vista como um elemento central do nosso dia a dia e que a aprendizagem cooperativa é orientada ao processo.

No seu trabalho, Slavin (1990) afirma que a aprendizagem cooperativa aumenta o efeito positivo das turmas e que os alunos que trabalham de forma cooperativa tornam-se mais cooperativos, pois aprendem comportamentos pró sociais tais como aproximar de outras pessoas e saber ouvir, entre outras competências. Adicionalmente aos adjetivos de aprendizagem individual e competitiva, a aprendizagem cooperativa pode revelar-se importante para uma educação completa.

O aprendiz é um ser social e interagir com colegas na busca de um resultado em comum retoma o sentido de cooperação e equilíbrio coletivo. Novos estímulos, informações, experiências e vivências são incorporados no trabalho cooperativo, possibilitando ao aprendiz um novo repensar sobre “o que fazer” e “como fazer”.