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Foto: Artur Ikissima

" Da porteira pra dentro, da porteira pra fora", com essa metáfora da territorialidade da tradição nagô, Mãe Senhora, Osun Miuwá, lyalorisá nilê Asé Opó Afonjá, caracterizava as iniciativas de estabelecimento de relações da comunidade religiosa com a sociedade envolvente, de valores distintos, na dinâmica da pluralidade sociocultural brasileira.

Mãe Senhora dinamizou a diplomacia com a sociedade envolvente, atraindo inúmeros artistas, intelectuais de projeção política, que vieram a reforçar a legitimação da comunidade num contexto histórico marcado pela adversidade e pela luta de afirmação de sua identidade civilizatória própria.

Nesse contexto que fora iniciado por Mãe Aninha e Martiniano do Bonfim, quando aceitaram participar do Congresso Afro-Brasileiro, organizado na Bahia por Edison Carneiro, é que também se dá a formação de Deoscoredes Maximiliano dos Santos, Mestre Didi, filho de Mãe Senhora.

Ele ampliará de maneira exuberante essa trajetória política de qualificação dos valores sagrados, também em seus desdobramentos criativos na sociedade "oficial", seja através de seus livros, seja sobretudo através da criação de sua obra escultórica de projeção internacional.

Inaicyra Falcão dos Santos, filha de Mestre Didi, participa deste contexto, e sua trajetória revela o legado dessa atuação "da porteira pra dentro, da porteira pra fora", como neta de Mãe Senhora.

Primeiramente no mundo da dança, toma conhecimento, através de inúmeras viagens ao exterior, de repertório infinito de gestos que desde a tradição religiosa se desdobra pelas ruas e palcos onde emerge o talento criativo alimentado pelo contínuo civilizatório negro-africano.

Ela mesma torna-se dançarina e pesquisadora deste universo, realizando estudos e concluindo cursos de pós-graduação na Universidade de Ibadan, na Nigéria, e participando das experiências de vanguarda de recriação da linguagem da dança no contexto afro-brasileiro, especialmente nas montagens dos autos coreográficos do Grupo Arte e Espaço da SECNEB, onde destacamos AJAKÁ, Iniciação para a Liberdade.

Posteriormente, já de volta definitivamente ao Brasil, exercendo a docência na Universidade de Campinas, descobre seu talento de cantora lírica, trabalhando na recriação da música sacra negra.

É toda essa dimensão de experiência estética que Inaicyra levará para o terreno da Educação, procurando revolucionar a pedagogia, referindo-se à emoção artística como fonte de mobilização para a aprendizagem, transmissão de conhecimento e saber.

Texto de Marco Aurélio Luz

 



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