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Atravessamentos Poéticos

setembro 28 @ 18:00 - dezembro 10 @ 17:00

 

A importância do lugar de apresentação para a atual produção artística tem efetivado, nas últimas décadas, parcela significativa da criação dos projetos contemporâneos. Este indicativo é compartilhado por Hans Haacke a partir de conhecida sentença do artista: “o contexto no qual uma obra é exposta pela primeira vez é para mim um elemento como a tela e a tinta.” Nesta direção, lugar e exposição tornam-se elementos revisados a partir da contextualização; ou seja, do sentido crítico e autocrítico acionados pelo encontro entre o trabalho e seu lócus de instauração; espécie de cuore ou novo desafio criativo a ser cultivado pelos artistas.

Trata-se, portanto, da valorização do lugar da arte, seja este lugar onde for: dentro, fora, próximo ou distante; através das instituições culturais. Quem compartilha dessa eleição, aquele que se dedica a este cultivo, discute o lugar da arte ao invés de lugares para a arte. Por isso mesmo é que bem nos cabe a ideia de atravessamento como proposta que compreende esse novo modo de atuação do artista, regido por um grau de entrega, de ajustamento e pertencimento de sua criação aos ambientes que os apresentam e lhes constituem como artísticos.

A possibilidade de ocupar, temporariamente, uma arquitetura de concreto e vidro dentro de um parque público oferece um modelo extremamente instigante para uma exposição coletiva de artistas interessados nos cruzamentos possíveis dentre: memória, documento, rastros, velamentos, gravidade, paisagem e natureza. Elementos esses que igualmente constituem o imaginário dos Museus Históricos dedicados às cidades, às localidades e suas singularidades, como é o caso deste Museu.

A vista oferecida através das paredes de vidro do primeiro piso não poderia ser mais generosa, mais provocativa. Atravessada pelos objetos aqui apresentados, muitos deles, pela primeira vez, esta vista nos propõe a propriedade sedante que é matéria própria da arte e reflete sua raridade ante a vida cotidiana: se por um lado, a presença da paisagem de natureza do lado externo exerce força imponente para que a ambiência se constitua, por outro, é o dado da presença deste conjunto de objetos artísticos aqui instalados o elemento ordenador da singularidade que imanta o lugar todo.

O grupo de artistas reunido nesta exposição responde à proposta que lhes foi feita sobre os modos e as maneiras com os quais a Memória, o Documento, a Transparência ou a Estrutura aparecem e/ou fundamentam seus trabalhos. A escolha variável por materiais e formas bastante experimentais apresentadas em seus trabalhos nos instiga também a atravessa-los como aquele que quer conhecer; que presume nesse diálogo_ nada convencional_ a entrega, a coparticipação de determinado núcleo, de certo segredo que se pode alcançar.

Vidro, metal e terra, tanto quanto acrílico, papel e luz elétrica estruturam suas escolhas poéticas a partir de: retratos-tipo (Alzira Ballestero); paisagens-colagens-rearticuladas (Valéria Scornaienchi e Vane Barini); coleções-memoriais (Iza Figueiredo), espécies-resilientes (Patricia Rebello e Maria Luiza Canela); empacotamentos (Marilde Stropp e Ana Almeida), descentramentos (Heloisa Gregori) e tensionamentos (Thiago Bortolozzo e Danilo Garcia) produzidos pelas propriedades simbólicas e materiais, tanto quanto por sua disposição no espaço.

Sylvia Furegatti

setembro.2017

 

 

 

Detalhes

Início:
setembro 28 @ 18:00
Final:
dezembro 10 @ 17:00