O primeiro território ocupado foi o eixo temático no qual o trabalho se assentou . Todas as imagens se referem ao processo de busca e construção de raízes, cujo foco se dirigiu para a região da Puglia no sul da Itália, local de origem da autora, e, mais especificamente para a imersão em uma de suas manifestações culturais: a "pizzica tarantata" e a prática de percussão de "tamorras".
A "pizzica"
é uma modalidade musical e coreográfica cuja função
é ritual, que, por sua vez, tem como objetivo curar o tarantismo.
O tarantismo é definido como uma crise de ausência vivida em
sua maioria por mulheres que habitavam essa região da Itália,
sendo observado ainda até meados da década de sessenta. As contemporâneas
atarantadas tem as bacantes como suas ancestrais, e essa modalidade musical
tem a tarantella como descendente.. O ritual é uma prática
mágica que se sustenta na dança embalada principalmente pelo
ritmo da tamorra, tipo de "tambor de aro" ou "pandeirão",
com a finalidade de reinstaurar a presença da atarantada, é
portanto, um ritual de êxtase. Suas origens entrecruzam influências
islâmicas e gregas.
O segundo território
foi habitado aos poucos pelas imagens fotográficas do arquivo pessoal
desenvolvido, que assim, reexpostas na tela do computador ao olhar do próprio
autor revelou outras camadas do seu processo de criação, permitindo
assim, uma requalificação de sua condição de arquivo,
passando a se tornar um inventário pessoal. Essa fase introspectiva
caminhou em paralelo `a observação da migração
da imagem para novos suportes. A escolha, no caso da exposição,
recaiu sobre o jato de tinta.
A mostra conta com prints em jato de tinta em formato de 1.20m x 2.00m, 11 cadernos de imagens onde a paisagem da cidade de Polignano a Mare, o azul do Mar Adriático, os impressos do ritual, detalhes da paisagem urbana de São Paulo e da Festa de São Vito estão apresentados. Também um vídeo experimental abordando o "tarantismo".
Exposição: 19/09 a 04/10/2002
Galeria
de Arte Unicamp/IA
apresenta

Flor
da
Pele