Quando o cotovelo vira coração, poderá a dor dar?
"O movimento circular
tornou-se tão rápido que já não se distingue da imobilidade.
Dir-se-ia, por conseguinte, que meus dias se endireitaram. Já
não ocilam uns sobre os outros. Têm-se de pé, verticais, e
afirmam-se orgulhosamente no seu valor intrínseco. E, como já
não são diferenciados por etapas sucessivas de um plano em vias
de execução, assemelham-se tanto que se sobrepõem exatamente na minha memória,
afigurando-se sempre reviver o mesmo dia."
Michel Tournier
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Sexta-Feira ou os Limbos do Pacéfico Uma Montagem. Fotos e objetos "experimentados" em épocas diversas são selecionados e justapostos engendrando um sentido. Não há um espaço pronto dado ao espectador, cabe a ele associar os elementos do conjunto. Chamo de uma montagem pois os mesmos trabalhos poderiam ser organizados diferentemente, com ou sem o acréscimo e/ou eliminação de peças. Estabelecer relações entre materiais, imagens e pensamentos faz parte do meu processo de trabalho. Para além da manipulação da imagem busco a manipulação do olhar. Os pontos de vista diferentes de cada trabalho exigem uma dimensão corporal no ato de ver. |
Fotos de fotos reorganizam a luz do primeiro momento(das fotos de base - pinhole) e acentuam a fluorecência dos corpos. Ou ainda, de pedaços de corpos compostos entre si. Um corpo está sendo sempre (re)visto. O molde em gesso do cotovelo virou coração quando metalizado, circulos recortados no vidro desenham buracos imprecisos no chão. O rastro da luz da lua faz-se também círculo desenhado, encarnado. O redondo como figura em si infinita pertence as peças da montagem uma autogênese dos trabalhos. Uma coisa que vira outra, estar longe e/ou estar perto, a luz, os múltiplos modos de ver organizam os afetos da montagem aqui proposta. |
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