Mini Curso As mulheres na música e na produção acadêmica: repensando gênero e MPB

Profa MS Bruna Queiroz Prado (Doutoranda em Música e PED em Voz Popular)
Coordenação: Profa Dra Regina Machado
DATAS: 20/SET, 04, 18 E 25/OUT DAS15H ÀS17H
SALA4 DM
PARA SE INSCREVER ENVIE MENSAGEM PARA: minicursomulheresnamusica (arroba) gmail (ponto) com

 

INFORMAÇÕES:

MINI-CURSO: As mulheres na música e na produção acadêmica: repensando gênero e MPB
Profa MS Bruna Queiroz Prado (Doutoranda em Música e PED em Voz Popular)
Coordenação: Profa Dra Regina Machado
Objetivo: Partindo da constatação de que, em um século de canção popular brasileira, as mulheres foram excluídas como compositoras, produtoras e acadêmicas, este curso tem como objetivo fazer uma introdução, em quatro aulas, aos estudos de gênero, refletindo sobre caminhos para a reinserção das mulheres e suas narrativas na produção e na geração de conhecimento sobre a música popular brasileira. A partir de novos pontos de vista e de uma epistemologia feminista, propõe-se uma nova forma de produção musical, acadêmica e de escrita, visando desestabilizar as hierarquias de poder por tanto tempo constituídas e repensar a fragmentação entre pesquisa, performance artística e ação política.

Aula 1 – 20/09
“A premissa da objetividade e da imparcialidade na pesquisa como forma de manter os grupos identitários minoritários alijados da produção de Conhecimento”
Conceito de auto-etnografia, importante ferramenta para a inclusão de narrativas tradicionalmente silenciadas na produção de Conhecimento: reflexão sobre a importância de que as mulheres produzam narrativas sobre si mesmas, a fim de gerarem novas perspectivas históricas, em que foram representadas por olhares masculinos; reflexão sobre a premissa da objetividade científica, (re)pensando-se a ciência como ação política.
Bibliografia:
DJAMILA, Ribeiro. O que é lugar de fala? Capítulos: “Apresentação” (pp. 13-31) e “O que é lugar de fala?” (pp.55-79)
HARAWAY, Donna. “Saberes localizados: a questão da ciência para o feminismo e o privilégio da perspectiva parcial” Artigo na íntegra
RAGO, Margareth. A aventura de contar-se Capítulo: “Prefácio” (pp.13 – 21)

Aula 2 – 04/10
“Relações de gênero da MPB”
Por que as mulheres predominam, na indústria fonográfica brasileira, como cantoras-intérpretes e os homens como instrumentistas, compositores, cantautores e produtores? Qual a relação entre ambos os ofícios e as construções de gênero?
Bibliografia:
CARVALHO, Dalila Vasconcellos de. O gênero da música: A construção social da vocação
Capítulo: “Vocação musical: conexões de gênero e classe social em três gerações de músicos” (pp.25-84)
JOYCE. Fotografei você na minha rolleyflex.
Capítulo: “Canárias” (pp. 159-170)
LEE, Rita. Rita Lee: uma autobiografia. Ler pp. 113 (“Bota fora”) a 135

Aula 3: 18/10
“O (des)lugar do corpo na música”
A formalização do ensino e a racionalização da produção de música popular no Brasil teve como consequência a exclusão do corpo, tão essencial na tradição oral, em que a relação entre dança, canto, composição e habilidades com os instrumentos – notadamente os de percussão – era a unidade que formava o músico. A linguagem ganhou autonomia sobre a performance, sendo considerado, a partir da bossa-nova, bom músico, aquele(a) que coloca a técnica – do canto ou do instrumento – a serviço da obra, excluindo da performance qualquer excesso teatral, corporal, emocional e vocálico. A partir disto, como podemos pensar a exclusão dos cantores (e consequentemente de grande parte das mulheres) da categoria músico?
Bibliografia:
DORING, Katharina. “Dona Nicinha de Santo Amaro e Dona Zelita de Saubara: Matriarcas negras do Recôncavo Baiano”. Artigo na íntegra, In: As bambas do samba: mulher e poder na roda. Marilda Santana (org.)
CAVARERO, Adriana. Vozes plurais: Filosofia da expressão vocal. Capítulo: “Introdução” (pp.15-31)

Aula 4: 25/10
“Cena musical queer: desconstruindo o binarismo de gênero”
Na atual cena da música independente, o corpo e a performance retomam seu lugar no trabalho de artistas feministas, transexuais, homossexuais, entre outros grupos idenditários que desconstroem as categorias binárias de gênero. Estes novos trabalhos, que se apropriam da tecnologia e que transgridem as barreiras entre MPB e música pop deixam como questões a
serem pensadas: não seria a exigência de virtuosismo musical mais uma estratégia de exclusão de certos grupos sociais da história da MPB?
Leitura:
HARAWAY, Donna. Manifesto ciborgue: Ciência, tecnologia e feminismo-socialista no final do século XX. Artigo na íntegra.
MOREIRA, Larissa Ibúmi. Vozes transcendentes: Os novos gêneros na música popular brasileira. Capítulos: “Música brasileira em transe” (pp.17-23) e “São Yantó: Alguém segure esse homem” (pp.66-73).