{"id":1359,"date":"2017-07-03T17:32:53","date_gmt":"2017-07-03T20:32:53","guid":{"rendered":"https:\/\/hosting.iar.unicamp.br\/cepecidoc\/?page_id=1359"},"modified":"2024-09-16T14:59:16","modified_gmt":"2024-09-16T17:59:16","slug":"apresentacao","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.iar.unicamp.br\/cepecidoc\/","title":{"rendered":"Apresenta\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">O CEPECIDOC (Centro de Pesquisas em Cinema Document\u00e1rio da UNICAMP), vinculado ao PPGMM (Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Multimeios) do Instituto de Artes\/UNICAMP, \u00e9 um Centro de Pesquisas do Diret\u00f3rio de N\u00facleos de Pesquisas do CNPQ. Congrega pesquisadores que trabalham em Cinema e Audiovisual Document\u00e1rio na diversidade de seus suportes e formatos. O objetivo do CEPECIDOC \u00e9 promover debates, semin\u00e1rios e projetos de pesquisa sobre Document\u00e1rio Brasileiro e Internacional. Sua funda\u00e7\u00e3o data de 2001. Entendemos ser positiva a valora\u00e7\u00e3o da especificidade da forma narrativa document\u00e1ria audiovisual, tela do maquinismo-c\u00e2mera aderindo \u00e0 iman\u00eancia do mundo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Atualmente o CEPECIDOC desenvolve o Semin\u00e1rio <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Imagens e Alteridades do Real<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> em encontros mensais com a participa\u00e7\u00e3o aberta de pesquisadores e professores que apresentam seu trabalho. Foi respons\u00e1vel pela realiza\u00e7\u00e3o de diversos eventos na \u00e1rea de cinema document\u00e1rio nos \u00faltimos 25 anos. Durante sua exist\u00eancia, organizou semin\u00e1rios internacionais com a vinda dos professores Michel Marie e Roger Odin, da Universidade Paris III\/Sorbonne Nouvelle. Tamb\u00e9m trouxe para palestras e reuni\u00f5es fechadas com o grupo de pesquisa e alunos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, os professores Deane Williams (Monash University) e David Rodowick (University of Chicago). Em outubro de 2012, juntamente com o Centro de Estudos Avan\u00e7ados (CEAv\/UNICAMP), o CEPECIDOC organizou a vinda do Prof. Bill Nichols (San Francisco State University) \u00e0 UNICAMP. Em 2002 promoveu, no Ita\u00fa Cultural\/SP, a Confer\u00eancia Internacional <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Tend\u00eancias e Perspectivas do Document\u00e1rio<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, em conjunto com o Festival <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 Tudo Verdade<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> e o apoio do Ita\u00fa Cultural. Em 2009, o CEPECIDOC, com a Universidade de Buenos Aires\/Argentina, organizou o evento latino-americano, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Semin\u00e1rio Internacional de Estudos Cinema Brasil e Argentina<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, sobre a produ\u00e7\u00e3o document\u00e1ria no cone Sul. Participaram 14 pesquisadores e professores de universidades brasileiras e argentinas. Em 2006, o Centro candidatou-se ao Edital Universal\/CNPQ recebendo Apoio Financeiro a Pesquisa para equipar suas instala\u00e7\u00f5es. Disp\u00f5e, para consulta do p\u00fablico em geral, um acervo com 2809 t\u00edtulos de filmes document\u00e1rios, que podem ser visionados \u2018in loco\u2019 na Videoteca do Instituto de Artes\/UNICAMP.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nas atividades de pesquisa do CEPECIDOC, a narrativa document\u00e1ria \u00e9 recortada em tr\u00eas frentes: a) reflex\u00e3o de cunho te\u00f3rico e conceitual, dando embasamento ao pensamento voltado \u00e0 defini\u00e7\u00e3o do campo; b) trabalhos com recorte hist\u00f3rico e autoral direcionados ao estudo do Cinema Document\u00e1rio Brasileiro\/Internacional e ao audiovisual em sua amplitude; c) pesquisas situadas em um eixo multidisciplinar articulando a tradi\u00e7\u00e3o do document\u00e1rio, cl\u00e1ssico expositivo ou expressivo, com o campo antropol\u00f3gico ou a alteridade de natureza animal, vegetal e meio ambiente. Seu Projeto de Pesquisa atual intitula-se \u201cA A-encena\u00e7\u00e3o document\u00e1ria: an\u00e1lise e tentativa de defini\u00e7\u00e3o\u201d e teve apoio FAPESP recebendo Aux\u00edlio Pesquisa no Exterior. O CEPECIDOC abriga igualmente os projetos FAPESP \u201cProdu\u00e7\u00e3o Audiovisual das Vanguardas Pl\u00e1sticas \u2013 anos 1960-1970\u201d (2022\/11065-5) e \u201cO Audiovisual da Luta Camponesa pelos Camponeses\u201d (2022\/03558-1), que interagem em sua linha de pesquisa.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A LINHA DE PESQUISA<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O campo do cinema document\u00e1rio deve ser entendido de forma ampla, abrangendo a encena\u00e7\u00e3o expressiva que chamamos <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">a-encena\u00e7\u00e3o<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. Toda narrativa document\u00e1ria possui um mega-enunciador, definindo-se assim como conjunto de vozes que enunciam no formato filme. O mega-enunciador abre-se com voz assertiva, de um lado, em dire\u00e7\u00e3o aos modos da encena\u00e7\u00e3o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">direta<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> ou <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">constru\u00edda <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">na tomada, chegando, pelo <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">modo dram\u00e1tico<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, at\u00e9 \u00e0s formas do <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">docudrama<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> que interagem na fabula\u00e7\u00e3o ficcional. Por outro lado, pode encostar no mundo numa esp\u00e9cie de hermen\u00eautica que faz tela e incorpora a dimens\u00e3o da <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">poiesis<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> definida como <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">a-encena\u00e7\u00e3o<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Entendemos que, em seu eixo central, a <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">a-encena\u00e7\u00e3o<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> trabalha com intensidades altas e individua\u00e7\u00f5es larvais \u2013 pot\u00eancias soltas da a\u00e7\u00e3o e da afec\u00e7\u00e3o na cena document\u00e1ria \u2013 articulando-se na iman\u00eancia da diferen\u00e7a que determina um plano de porvir em processo. \u00c9 um <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">de-l\u00e1<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> que se torna, pelo movimento, um <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">j\u00e1-\u00e9<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> na cena na tomada.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">a-encena\u00e7\u00e3o<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> tem raiz no que definimos como <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">hors-sc\u00e8ne<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, conceito forjado a partir do <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">acinema<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> proposto por Jean-Fran\u00e7ois Lyotard. Designa o que n\u00e3o fecha na conta da cena, mas d\u00e1 a volta por tr\u00e1s e se eleva por fora (sempre pelo de-dentro da vida) na individua\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica que transcorre o maquinismo c\u00e2mera. \u00c9 esp\u00e9cie de empirismo que se costura na virtualidade aberta do tempo; um si-mesmo que, sendo como tela da mente numa m\u00f4nada, engole, no intervalo que funda, o movimento do ego transcendental pela iman\u00eancia do <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">espa\u00e7amento<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. O plano de consist\u00eancia com figura\u00e7\u00e3o reflexa na qual se finca pelo movimento faz a encena\u00e7\u00e3o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">constru\u00edda <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">ou <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">direta<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">\/<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">verdade<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> (mais restritas nos modos de abertura do encontro), como tamb\u00e9m a <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">a-encena\u00e7\u00e3o<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Por trazer como verdadeira a s\u00e9rie fotogr\u00e1fica da iman\u00eancia radical (aquela que a imagem-c\u00e2mera inaugura na tomada), a <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">a-encena\u00e7\u00e3o<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> pode se colocar enquanto a\u00e7\u00e3o ou afec\u00e7\u00e3o da vida na cena. \u00c9 pensamento de uma ag\u00eancia\/mente que adere e gruda de maneira irrecuper\u00e1vel no empirismo e assim atinge o n\u00facleo da representa\u00e7\u00e3o, eclodindo. Neste ponto de iman\u00eancia, a <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">a-encena\u00e7\u00e3o<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> finca \u00e2ncora naquilo que tem o estatuto (sem ser extens\u00e3o, nem ontologia) do que reflete. E essa \u00e9 sua tela. \u00c9 por a\u00ed que a <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">a-encena\u00e7\u00e3o<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> tenciona at\u00e9 que, liberando as dimens\u00f5es do figurativo, atinja a virtualidade do cosmos que passa por inteiro, de uma vez, no plano virtual, se formando pelo que retorna como condensa\u00e7\u00e3o. O movimento que faz, nesses casos extremos de sua imagem, parece vir do tempo diretamente e forma seu cristal.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o podemos reduzir, no entanto, a tradi\u00e7\u00e3o do filme document\u00e1rio \u00e0s figura\u00e7\u00f5es da <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">a-encena\u00e7\u00e3o<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, nem devemos fix\u00e1-la em postura normativa evolucionista. A an\u00e1lise desconstrutivista precisa tomar coragem e ir al\u00e9m do primeiro degrau da reflexividade. \u00c9 perigo que corre o pensamento do document\u00e1rio num vi\u00e9s p\u00f3s-estruturalista pouco elaborado, apresentando como final a forma ensaio, ou experimental. \u00c9 tamb\u00e9m o que ocorre na tradi\u00e7\u00e3o da dial\u00e9tica materialista mais redutora, que respira os ares da teleologia hegeliana no conceito de ideologia. O document\u00e1rio \u00e9 m\u00faltiplo na refra\u00e7\u00e3o daquilo que a iman\u00eancia do movimento faz circular e no impacto do que chega pelo modo-de-ser reflexo. Acreditamos que as modalidades hist\u00f3ricas da tradi\u00e7\u00e3o document\u00e1ria surgem e convivem em simultaneidade, dentro de uma postura tra\u00e7ada por um encontro (um contato de ader\u00eancia) que vai al\u00e9m da linha lim\u00edtrofe da interpreta\u00e7\u00e3o ou do saber cognitivo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">a-encena\u00e7\u00e3o<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, portanto, pode ser definida como express\u00e3o da diferen\u00e7a <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">hors-sc\u00e8ne<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> quando essa paira, sem amarra e pelo solu\u00e7o do movimento, num modo de individua\u00e7\u00e3o heterog\u00eaneo. \u00c9 o que condensa o plano de consist\u00eancia, cristalizando a iman\u00eancia direta do tempo pela dimens\u00e3o tecnol\u00f3gica do maquinismo c\u00e2mera em sua dimens\u00e3o f\u00edlmica. S\u00e3o linhas, ou s\u00e9ries (a tomada-c\u00e2mera \u00e9 apenas uma delas), que figuram a dimens\u00e3o reflexa do cosmos nas diversas dimens\u00f5es que o percorrem como tela \u2013 e assim sucedem o devir da cena.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O CEPECIDOC (Centro de Pesquisas em Cinema Document\u00e1rio da UNICAMP), vinculado ao PPGMM (Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Multimeios) do Instituto de Artes\/UNICAMP, \u00e9 um Centro de Pesquisas do Diret\u00f3rio de N\u00facleos de Pesquisas do CNPQ. Congrega pesquisadores que trabalham em Cinema e Audiovisual Document\u00e1rio na diversidade de seus suportes e formatos. O objetivo do CEPECIDOC &#8230; <a title=\"Apresenta\u00e7\u00e3o\" class=\"read-more\" href=\"https:\/\/www.iar.unicamp.br\/cepecidoc\/\" aria-label=\"Read more about Apresenta\u00e7\u00e3o\">Ler mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-1359","page","type-page","status-publish"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.iar.unicamp.br\/cepecidoc\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1359","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.iar.unicamp.br\/cepecidoc\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.iar.unicamp.br\/cepecidoc\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.iar.unicamp.br\/cepecidoc\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.iar.unicamp.br\/cepecidoc\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1359"}],"version-history":[{"count":14,"href":"https:\/\/www.iar.unicamp.br\/cepecidoc\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1359\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2186,"href":"https:\/\/www.iar.unicamp.br\/cepecidoc\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/1359\/revisions\/2186"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.iar.unicamp.br\/cepecidoc\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1359"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}