Esta pesquisa pretende examinar, por meio da prática artística, as relações entre corpo e natureza, a partir da análise do conjunto das séries de experimentações performativas Está caindo flor e Está exalando cinza, abordadas a princípio como antecedentes, resultando em novas versões e desdobramentos por meio das séries Corpo-água, Corpo-pedra e Corpo-árvore, desenvolvidas durante a pesquisa, a partir da participação na residência artística Imersão Primavera na Casero Residência no Parque Nacional de Itatiaia (RJ). As ações são desenvolvidas a partir de deslocamentos nas cidades, área rural e florestas. O problema central da pesquisa consiste em compreender de que maneira as experimentações performativas, ao operar como dispositivos rituais, podem promover relações significativas na busca pelo entendimento do humano como parte integrante da natureza. A metodologia da pesquisa abarca a realização e análise dos processos artísticos atrelada a reflexões sucitadas por eles, a partir de referenciais artísticos e conceituais. A tessitura da tese é dividida em três seções, a primeira trata dos aspectos metodológicos, tanto no que se refere à pesquisa em arte na universidade, como no desenvolvimento metodológico das ações artísticas, iniciado a partir dos deslocamentos poéticos, resultando em proposições performativas em contexto, além dos desdobramentos das ações transitórias por meio da documentação dos processos. A segunda seção aborda a participação na residência artística, as experimentações performativas desenvolvidas nesse contexto, bem como as reflexões que emergem delas. A terceira seção apresenta a referência artística de Ana Mendieta, abordando os aspectos envolvendo a performatividade em suas obras em conexão com a natureza, identificando elementos que colaboram com a discussão das experimentações desenvolvidas: o deslocamento como estratégia mobilizadora do processo de criação, as relações entre corpo e natureza, a documentação das ações transitórias em contexto, bem como o trabalho de campo em Jaruco (Cuba), por meio da visita performativa às Esculturas Rupestres de Ana Mendieta. Os resultados indicam que as interações entre corpo e natureza, em alguns momentos, evidenciam tensões e conflitos, que podem ser ressignificados a partir de experiências performativas, ampliando a percepção do corpo, ativando conexões significativas com a natureza.