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IV Seminário de Estudos sobre Gêneros Cinematográficos e Audiovisuais

29 de novembro de 2018 @ 9:00 - 18:00

O Grupo de Estudos Genecine, pertencente ao Programa de Pós Graduação em Multimeios do Instituto de Artes (IA) da Unicamp, convida a todas e todos para o IV Seminário de Estudos sobre Gêneros Cinematográficos e Audiovisuais (IV Genecine), a ser realizado no dia 29/11, das 9h às 18h, no Auditório 2 do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas (IFCH).
(R. Cora Coralina, 100 – Cidade Universitária, Campinas – SP)

PROGRAMAÇÃO

 

Recepção
9h às 9h30

 

Mesa 1
“Ficção Científica e Especulativa no Audiovisual: Diálogo Social e Tecnológico”

 

9h30 às 11h

 

“Além da Imaginação é a viagem no tempo no mundo da Guerra Fria”
Igor Carastan Nóboa (PPGHS/FFLCH/USP)

 

Resumo: A série Além da Imaginação (The Twilight Zone), exibida originalmente entre 1959 e 1964, é um ícone da televisão fantástica. Seu criador, produtor e principal roteirista, Rod Serling, utilizou de forma recorrente os episódios como forma de expor suas ideias sobre a humanidade e tecer comentários sobre diversos aspectos do seu contexto histórico. Um dos principais temas exibidos na série, o da viagem no tempo, foi constantemente utilizado como forma de levantar questões sobre as relações entre as mais diversas temporalidades e as mudanças, indicando reflexões sobre o presente da série e das formas modernas de desenvolvimento do símbolo tempo. A presente comunicação tem a intenção de apresentar as principais formas como a viagem no tempo foi apresentada na série Além da Imaginação – que podem ser ampliadas para o uso geral e corrente desse recurso narrativo – e o potencial desse tipo de enredo para fornecer reflexões e informações sobre as mudanças radicais e constantes que as sociedades contemporâneas passam e como elas são percebidas, criticadas e aguardadas. No caso da série de Rod Serling, o contexto observado é o da década de 50 e início dos anos 60 dos EUA, anos marcados por uma grande reestruturação dos EUA, orientadas pelo desenvolvimento econômico, mitos nacionais e a Guerra Fria. Há também a intenção com a presente comunicação que a série televisiva seja mais estudada e conhecida, haja vista a influência que desempenhou na própria mídia da qual faz parte, abrindo portas para maior aceitação dos gêneros fantásticos, e no desenvolvimento do cinema posterior desenvolvido a partir dos anos 70.

 

“Disputa ideológica e contradições do fantástico na série American Gods”
Eduardo Carniel (DLM/FFLCH/USP)

 

Resumo: A série American Gods, assim como o romance de Neil Gaiman em que é baseada, dialoga com uma tradição do gênero da ficção especulativa que articula elementos fantásticos em conjunção com a mimese da realidade material (referida como “realismo mágico” ou “fantasia urbana”). Esse diálogo, que trabalha com horizontes de expectativa próprios ao gênero, traz à tona, por meio de adesões e subversões formais dessas expectativas, tensões singulares do momento histórico – no caso, o início do século XXI (inserido no período que o crítico Fredric Jameson denomina “capitalismo tardio”). A partir da teoria interpretativa do inconsciente político, essa comunicação refletirá sobre os deslocamentos formais tomados na adaptação televisiva em relação ao romance – centralmente, quanto à diversificação dos focos narrativos e do tratamento de personagem – em uma tentativa de apreender como um acontecimento central na recente história mundial (a crise financeira de 2008) abriu novos paradigmas de representação para o conflito socioideológico dramatizado na obra original.

 

“As Três faces de Kong: visões e invisibilidades dos efeitos especiais e visuais”
Cássio Henrique Starling Carlos (UNICAMP)

 

Resumo: As três versões de King Kong são representativas dos três grandes grupos de princípios técnicos adotados até hoje, de forma híbrida, para a execução de efeitos especiais e visuais no cinema. Na versão de 1933 são predominantes os efeitos de tipo ótico, baseados em “stop motion”, em retroprojeções e em “matte painting”. Em 1976, a produção do blockbuster recorreu a efeitos do tipo mecânico, como miniaturas, maquetes e animatrônica, enquanto a versão de 2005 priorizou as tecnologias digitais de CGI com o objetivo de intensificar a espetacularidade dos espaços e das movimentações do monstro. Nosso objetivo é apresentar, com base na comparação de sequências equivalentes nas três versões, como os resultados revelam, apesar da heterogeneidade das técnicas disponíveis em cada momento histórico, aspectos avessos e complementares dos efeitos especiais e visuais. De um lado, temos a espetacularização, pois um dos principais objetivos do uso de efeitos é gerar imagens calcadas em referências do mundo natural e que, ao mesmo tempo, as ultrapassam, provocando desse modo assombro e espanto. De outro, as técnicas baseiam-se também em princípios de ocultamento e de invisibilidade, apagando a presença incessante da manipulação e do ilusionismo.

 

Mesa 2
“Cinema de Gênero e Sociedade: do Fim da Segunda Guerra à Contemporaneidade” 
11h30 às 13h

 

“On the Waterfront – Melodrama e subjetivação como forma de representação de problemáticas sociais”
Bruno Gavranic Zaniolo (DLM/FFLCH/USP)

 

Resumo: Através do filme On the Waterfront, de Elia Kazan, esse trabalho propõe uma reflexão sobre aspectos narrativos adotados pelo cinema de Hollywood nos anos 1950 para dialogar com a matéria histórica do tempo – especificamente, o Macartismo, que causou uma limpa na indústria de artistas considerados como “subversivos”. Será discutido como, na elaboração do que foi considerado um “filme de problemática social” foram utilizados elementos que marcaram a produção teatral de esquerda durante os anos 1930, como o melodrama e o método de interpretação naturalista. A proposta é investigar, assim, de que maneira, nos anos 1950, alguns artistas realizaram uma reelaboração da experiência estético-política do período entre guerras, ao mesmo tempo que legando como herança, através de seus filmes, uma forma ambivalente de se relacionar com a contradição entre posicionamento político e engajamento no sistema de produção dos grandes estúdios.

 

“Modernidade e Música Anacrônica – Transformações na Trilha Sonora do Filme de Wuxia e de Kung Fu”
Gabriel Bueno Lisboa (UNICAMP)

 

Resumo: Da metade década de 1960 ao fim dos anos 1970 o cinema tradicional de artes marciais de Hong Kong conheceu seu auge acompanhando inovações formais do cinema moderno. A revisão estética do filme de wuxia e a posterior consagração do filme de kung fu contemporâneo estariam relacionadas à rápida industrialização e modernização da sociedade de Hong Kong no período. A respeito da banda sonora destes filmes, além da amplificação estilizada de sons sincrônicos, foi comum a variação do uso da música incidental de tons regionais no filme de wuxia para trilhas musicais anacrônicas e experimentais, de instrumentalização elétrica. Influenciada pelo spaghetti western (gênero também ambientado num passado idealizado) esta transformação revela a intenção de atingir um jovem público operário e de romper com formas tradicionais da música extra-diegética no cinema.

 

Formações Trágicas no Western Contemporâneo: o caso de Onde os Fracos Não Têm Vez
Luiz Felipe Baute (UNICAMP)

 

Resumo: Por meio de uma convergência entre cinema, literatura e outras formas culturais, o Western consolidou-se — sempre associado à cultura estadunidense — como um dos gêneros mais flexíveis e preponderantes do século XX. Ao longo de sua história, foram exploradas uma miríade de conflitos, contradições e ambiguidades do “Americanismo”. Dessa forma, o “mito Western” desenvolveu-se não apenas como um meio para a discussão de identidade social e política, mas também como forma de entretenimento. Impulsionado pela expansão do cinema comercial hollywoodiano, o Western continuamente manifestou, em suas diversas variações formais, um diálogo muito intenso com a sociedade. A apresentação propõe uma análise do filme Onde Os Fracos Não Têm Vez (Joel Coen e Ethan Coen, 2007) com o objetivo de investigar sua relação com a tradição do gênero Western e traçar seus possíveis desdobramentos sociais e culturais na contemporaneidade.

 

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Exibição e discussão de La Cordillera (Argentina, Santiago Mitre, 2017) 
Prof. Dr. Mariano Paz
Professor na School of Modern Languages and Applied Linguistics, da University de Limerick, Irlanda. Têm interesse nos seguintes temas: distopia, política e sociedade nas culturas populares da América Latina. Em particular, sua pesquisa tem explorado a representação da ciência e tecnologia em filmes argentinos; o cinema de gênero na América Latina (incluindo o fantástico e a ficção científica); o cinema e a literatura não-naturalistas da Argentina; e a representação de cidades no cinema latino-americano.
14h30 às 18h
Resumo: O diretor argentino Santiago Mitre realizou apenas três longas-metragens. Contudo, foram suficientes para que ele adquirisse importante nível de reconhecimento, nacional e internacional. A sessão terá início com uma introdução ao mais novo filme de Mitre: A Cordilheira (La Cordillera, co-produção Argentina, Espanha e França). Complexo, sombrio e ambíguo, o filme retrata um encontro entre presidentes da América Latina em um resort montanhoso nos Andes chilenos. Eles estão prestes a votar em um grande projeto: a criação de uma aliança entre países produtores de petróleo. Essa organização irá coordenar a exploração, extração e produção de petróleo na região. No entanto, dois intrusos externos irão desafiar o plano. Um deles é representante do governo dos EUA, fazendo lobby para que o governo estadunidense faça parte da associação – e avance em favor dos seus interesses). O segundo é representado pela filha de Hernán Blanco, o presidente argentino, que chega à cordilheira sob o efeito de um transtorno psicológico. A introdução irá situar e contextualizar o filme em relação aos outros dois trabalhos de Mitre: El Estudiante (2011) e La Patota (2015), e discutirá como o filme apresenta a política nos mais elevados níveis de utopia e distopia. Por um lado, oito presidentes são reunidos, apesar de suas diferenças, para avançar com uma agenda coletiva que objetiva fortalecer a região tanto econômica quanto politicamente. Por outro lado, o filme apresenta a face obscura das negociações políticas, enquanto indica um aspecto ainda mais sinistro da figura de Blanco. O filme, ao mesmo tempo, utiliza e subverte das convenções de diversos gêneros: o thriller, o horror e o fantástico. A introdução será seguida pela exibição do filme e, finalmente, uma discussão com o público presente.”

Detalhes

Data:
29 de novembro de 2018
Hora:
9:00 - 18:00
Categorias de Evento:
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Local

Auditório 2 do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas
R. Cora Coralina, 100 - Cidade Universitária
Campinas, SP Brasil
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