PPG em Música promove Encontro sobre a presença indígena no Curso de Música da Unicamp


Publicado por João Megale | IA | Unicamp.
Texto enviado pelos organizadores.

 

Em 14 e 15 de maio de 2026, no Auditório do Instituto de Artes da Unicamp, realizaremos um Encontro sobre a presença indígena no Curso de Música da Unicamp: permanência estudantil e transformação curricular. O evento, organizado pelo Programa de Pós-Graduação em Música da Unicamp, com colaboração do ProFIIVI (Programa Formativo Intercultural para Ingressantes pelo Vestibular Indígena), tem por principais objetivos: pensar estratégias de inclusão e permanência dos estudantes indígenas na Unicamp; promover a integração, aos conhecimentos musicais cultivados na universidade, de musicalidades, saberes e formas indígenas de transmissão de conhecimento; e estimular a pesquisa sobre a presença indígena nos cursos superiores de música.

O evento contará com a presença e com falas dos próprios estudantes indígenas do Curso de Música da Unicamp (Aden Moreira, Ana Mowatcha e Lucas Rocha), da coordenadora associada do ProFIIVI/Unicamp (Prof.a Marina Novo, do Dep. Antropologia do IFCH/Unicamp) e de professores e pesquisadores de Educação Intercultural (Prof. Izaque João, UFGD), Antropologia (Prof. Ian Packer, UFES), Etnomusicologia (Dr.a Paola Gibram, MAE/USP), Artes (Prof. Daniel Puig, UFSB) e Música (Prof. Adelcio Camilo, UFSCar; Prof.a Adriana Mendes, Unicamp). Teremos, ademais, momentos de discussão, para pensarmos, juntos, em como traduzir para a realidade de nosso(s) curso(s) de Música aquilo que aprendemos e aprenderemos por meio do convívio com e da disposição às alteridades etnoculturais. Toda a comunidade está, é claro, convidada!


Programação

 

14/05:

 

9h–10h20

Abertura

Prof. Francisco Zmekhol (IA/Unicamp):

Apresentação e contextualização do evento

Aden Moreira, Ana Mowatcha, Lucas Rocha (IA/Unicamp):

Primeiro depoimento sobre a experiência no Curso de Música da Unicamp

 

10h30–12h

Prof. Daniel Puig (CFAC/UFSB):

Currículos interdisciplinares e interculturais em Artes: o caso da UFSB

 

12h

Almoço

 

14h–14h30

Prof.a Marina Novo (IFCH/Unicamp; ProFIIVI/Unicamp):

PROFIIVI e estratégias de inclusão e permanência dos estudantes indígenas na Unicamp

14h40–17h40

Mesa: regimes indígenas de conhecimento musical

Prof. Izaque João (FAIND/UFGD)

Cantos rituais Kaiowá

Prof. Ian Packer (CCHN/UFES)

Artes verbomusicais Krahô

Dr.a Paola Gibram (MAE/USP)

Musicalidades e saberes Kaingang


15/05:

 

14h–15h30

Mesa: presença indígena nos cursos superiores de Música: experiências pedagógicas e institucionais

Prof.a Adriana Mendes (IA/UNICAMP)

Experiências no acolhimento aos estudantes indígenas e a disciplina “Introdução à Teoria Musical” no PROFIIVI/Unicamp

Prof. Adelcio Camilo Machado (CECH/UFSCar)

A experiência no Curso de Música da UFSCar

Aden Moreira, Ana Mowatcha, Lucas Rocha (IA/Unicamp):

Segundo depoimento sobre a experiência no Curso de Música da Unicamp

 

15h45–17h30

Discussão: (mediação: Prof. Izaque João e Prof. Daniel Puig)

 


Aden Souza Moreira é indígena do povo Kambeba (Aikima-Cürümawa) e graduando do 5o período em Licenciatura em Música pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Idealizador e coordenador do Projeto Maracá Musical, voltado ao ensino de música para crianças e jovens indígenas em Campinas-SP. É líder da Dança do Mascarado do povo Kambeba em São Paulo. Foi bolsista do PIBID e monitor do Programa de Apoio Didático (PAD/UNICAMP) em "Encontros Interculturais: Povos Indígenas e a Universidade" (2024/2025) e "Oficina de Autorregulação da Aprendizagem" (2024). Atua como professor voluntário na Oficina de Musicalização da Unicamp, membro da Orquestra de Cordas da ELM e foi arquivista da Banda Sinfônica da UNICAMP. Pesquisador pela Faculdade de Educação da UNICAMP com o projeto “Dança dos Mascarados” do povo Kambeba – Aikima Curumawa de Amaturá-AM: sentidos, mudanças e permanências, orientado pela Profa. Alik Wunder.

 

Paola Gibram é antropóloga e musicista. Atua há 15 anos com pesquisa e assessoria junto a povos indígenas, com experiência mais direta com os Kaingang da região Sul do Brasil. Possui mestrado em Antropologia Social pela Universidade Federal de Santa Catarina (2012) e doutorado em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo (2021). Atualmente, é pós-doutoranda no Museu de Etnologia e Arqueologia da USP. Co-dirigiu, junto à pesquisadora Nyg Kuitá Kaingang, o documentário audiovisual Nẽn Ga vÄ©: uma retomada kanhgág em movimento (2019) e é autora do livro Penhkár: política, parentesco e outras histórias kaingang (Appris/Instituto Brasil Plural, 2016). Atua também como instrumentista, compositora e diretora musical na música popular e possui experiência em documentação, produção musical e performance junto a artistas indígenas como Djuena Tikuna e Auritha Tabajara e a coletivos do povo Kaingang.

 

Marina Novo: Mestra e Doutora em Antropologia Social pelo Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal de São Carlos, com pós-doutorado junto ao Departamento de Antropologia da Unicamp, com estágio na Universidade de Oxford. Atualmente, professora do Departamento de Antropologia/IFCH/Unicamp e Coordenadora Associada do PROFIIVI. Pesquisadora junto aos Kalapalo, povo de língua karib do Alto Xingu (mato Grosso) desde 2005, tendo como áreas de pesquisa a saúde indígena, políticas de transferência de renda, economia indígena e as relações com os não indígenas e as cidades. Desde 2025 tem atuado em escolas e com formação de professores e professoras, com foco na Lei 11.645/08, que torna obrigatório o ensino das histórias e culturas indígenas na educação básica.

 

Daniel Puig é compositor, artista e professor na UFSB. Homem cis branco, nascido de pais estrangeiros na classe média do Rio de Janeiro em 1970. Estudou e trabalhou em escolas alemãs e foi professor de música do CAp-UFRJ. Concluiu a Licenciatura em Música (1993), Especialização em EAD e Docência (2000) e Mestrado em Música e Tecnologia (2004) pela UFRJ. Cursou Doutorado em Música (2014) com bolsa do DAAD/CNPq entre UNIRIO e UdK-Berlim (Alemanha). Em 2021 concluiu um pós-doutorado em Educação no IEA-USP. Tem obras premiadas no Brasil e no exterior, com um trabalho artístico interdisciplinar que explora diferentes linguagens, integrando arte e tecnologia a partir da música de concerto e eletroacústica. Na implantação da UFSB, foi Pró-Reitor e coordenou o início das Licenciaturas Interdisciplinares e da interface pioneira universidade-escola. Leciona nos cursos de artes na graduação e pós-graduação e é membro do Grupo de Pesquisa em Poéticas Tecnológicas.

 

Adelcio Camilo Machado é bacharel, mestre e doutor em Música pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). É professor do Departamento de Artes e Comunicação (DAC) e do Programa de Pós-Graduação em Estudos de Literatura (PPGLit) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Desde 2020, ocupa o cargo de vice-diretor do Centro de Educação e Ciências Humanas (CECH). É co-líder do “Grupo de Estudos da Canção Popular” (UFSCar), em parceria com a Profa. Dra. Thais dos Guimarães Alvim Nunes, e também integra outros grupos de pesquisa. Atua regularmente no âmbito da extensão universitária, sendo participante do programa “Música Popular: História, Performance e Ensino”, coordenado pela mesma docente. Suas pesquisas, disciplinas e orientações voltam-se à compreensão das características estilísticas da música popular gravada, sobretudo da canção popular, bem como de suas relações com os contextos socio- históricos de produção, recepção e circulação.

 

Ian Packer é professor de Antropologia no Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), onde é um dos coordenadores do GAIA: Núcleo de Estudos dos Povos da Terra. Desenvolve pesquisas acadêmicas em etnologia ameríndia com ênfase em estudos sobre artes verbomusicais, ritual, cosmologia e tradução. Possui experiência indigenista entre os povos Mbya-Guarani, Ava-Guarani e Krahô. E-mail: ian.packer85@gmail.com.

 

Inseriremos, ao longo dos próximos dias, informações sobre os/as demais convidados(as).


Projeto gráfico: Pamela Teixeira e Francisco Zmekhol, com pinturas do coletivo AIUN e desenhos de Ana Mowatcha.