
Pamella de Caprio Villanova
A peça Plástico, um mito contemporâneo, que faz parte da tese de doutorado de Pamella de Caprio Villanova (do Programa de Pós-Graduação em Artes da Cena do Instituto de Artes), busca mesclar a discussão sobre a importância da consciência ambiental, o comportamento de consumo da sociedade e a divulgação científica em um monólogo bem-humorado, que a autora chama de palestra-performance.
“A ideia é que minha tese seja uma série de ações de divulgação científica e, desde 2015, eu pesquiso sobre a questão do lixo. Também faz parte da tese um capítulo sobre os territórios e os destinos dos resíduos. Com isso, vamos contar a história do lixo em Campinas e no Brasil”, afirma. A orientadora de Pamella é a Prof.ª Dr.ª Gina Monge Aguilar.
Pamella conta que, no período de estudo sobre o tema, reuniu materiais bibliográficos nacionais e estrangeiros sobre plástico e consumo e a relação da sociedade com seu descarte. O domínio do assunto e de seu contexto, segundo ela, é fundamental para o desenvolvimento do aspecto artístico da pesquisa.
“É um longo trajeto para transformar isso em cena teatral. Há um trabalho de encadear conteúdos, criar personagens e de direção que precisa ser realizado”, diz. Ela conta que a primeira apresentação aconteceu na Espanha. "Eu estava fazendo o Doutorado Sanduíche pelo Capes Print. Criar e apresentar a peça foi parte das ações da pesquisa que realizei por lá". As primeiras apresentações foram em espanhol e aconteceram nas cidades de Madri, Barcelona, Zaragoza (na Universidade de Zaragoza) e Granada (na Universidade de Granada).
Segundo ela, os ensaios abertos e apresentações para diferentes públicos são usados como parte da própria criação. “A peça vem sendo construída em participações em intervenções e festivais, nos debates com o público e nas conversas com outros artistas, que me apoiam no desenvolvimento do figurino, no pensamento da dramaturgia e na preparação de palhaçaria, por exemplo”, afirma.
A autora lembra ainda que a peça, que agora vem sendo exibida em Institutos da Unicamp e na região de Campinas, apesar de leve e bem-humorada, tem como foco o público adulto. “Quando falamos de educação ambiental, o clichê nos leva a pensar que temos que conversar com as crianças, porque elas vão crescer educadas sobre o tema e o mundo será melhor no amanhã. A gente já está em um ponto que não dá para esperar o amanhã. Temos que resolver já”, afirma.
A escolha pelo formato de monólogo se deu por conta da facilidade de transmissão das informações e da possibilidade de interação com a audiência. “Em um formato acadêmico tradicional, as pesquisas na nossa área são artísticas e teatrais, e essa foi uma forma de compartilhar saberes acadêmicos dentro de um contexto de Artes da Cena.”