Jardim do Instituto de Artes ganha escultura de Akiko Fujita


foto: Julia Zanelatto

|Autor: Gabriela Villen              

A escultura "Castelo de Pássaros", da artista plástica japonesa Akiko Fujita, agora pode ser apreciada no jardim do Instituto de Artes (IA) da Unicamp. Inaugurada na última quinta-feira (17), a obra é a primeira do projeto Jardim de Esculturas, coordenado pela professora Sylvia Furegatti, que deverá alterar consideravelmente a paisagem do Instituto no próximo ano, quando completa 50 anos. A mesa de abertura da inauguração contou com a presença do reitor Marcelo Knobel; do pró-reitor de extensão e cultura, Fernando Hashimoto, e do diretor do IA, Paulo Adriano Ronqui.

Akiko Fujita, no breve período em que viveu no Brasil, teve forte vínculo com a Unicamp, sendo uma das fundadoras do IA, conforme contou Sylvia Furegatti. Há quatro anos, o "Castelo de Pássaros" fora localizado no ateliê da artista, que ainda existe em Barão Geraldo, juntamente com outras obras. Ao lado de Cristina Rocha, ceramista campineira e uma das responsáveis legais pela obra da artista japonesa no Brasil, Sylvia articulou a doação das peças para o Museu de Artes Visuais (MAV) da Unicamp, o Museu de Arte Contemporânea de Campinas (MACC) e para o IA. “Consolidamos assim a presença de Akiko nos acervos locais”, comenta a professora.

Sylvia Furegatti em mesa do Seminário Escultura Paisagem. | Foto: Antonio Scarpinetti. | Edição de Imagem: Renan Garcia.

A remontagem da peça foi realizada com a participação de alunos, funcionários, Cristina e artistas da cidade convidados. O evento contou ainda com trilha sonora especial de Egberto Gismonti, composta em homenagem a Akiko Fujita.

O Seminário Escultura Paisagem deu sequência ao evento, no auditório do IA. Professores convidados e especialistas em escultura pública contemporânea, formas de acervamento e arte na universidade pública debateram diversos aspectos da presença artística.

Foi lançado também o e-book do II Seminários Nacional do Grupo de Estudos sobre Arte Pública (Geap) Brasil, realizado no ano passado da Unicamp. “É um grupo dedicado a estudar exatamente essa configuração das esculturas públicas, das formas de ação artística que ocupam o espaço da cidade, o espaço aberto Urbano público e as Universidades são um desses lugares”, explicou Segundo Sylvia Furegatti, que também coordena o grupo nacionalmente.

 

História das Andorinhas

A obra de Akiko Fujita já fez parte da vida da Universidade. O “Monumento das Andorinhas”, inaugurado em 1985, testemunhava o entre e sai do campus no balão que dá acesso à Universidade, próximo ao Restaurante Universitário (RU).

Obra de Akiko Fujita “Monumento das Andorinhas” de 1985 | Foto: J.J. Lunazzi | outubro 1986

O vídeo abaixo, resgatado pela Secretaria de Comunicação da Unicamp,  acompanhou o processo de construção da obra, registrando todas as fases da confecção da escultura de Akiko Fujita. O material, que hoje faz parte do acervo da RTV Unicamp, foi entregue a Akiko Fujita pelo Centro de Comunicação da Unicamp em 28 de julho de 1986, conforme nota na página 11 da primeira edição do Jornal da Unicamp.

Para assistir o vídeo acompanhando o processo de construção da obra, clique aqui.

"Castelo de Pássaros" de Akiko Fujita. | Foto e edição de imagem: Julia Zanelatto.

Em entrevista recente ao Jornal da Unicamp, o compositor Egberto Gismonti conta um pouco da história da obra e da artista: “Também em Campinas, uma grande escultora japonesa chamada Akiko Fujita, fez um belíssimo projeto, na Unicamp, chamado Casa das Andorinhas – aliás, projeto este que, por razões possivelmente políticas, foi retirado do campus. Era uma casa feita de barro. Akiko, que já tem mais de 90 anos, sempre é convidada por países para ir a uma determinada cidade, passar um ou dois meses no local para descobrir a razão e o porquê de ceder uma obra à cidade.

Depois de passar uma temporada nos arredores de Campinas, ela concluiu que o melhor a fazer era uma grande escultura, a Casa de Andorinhas, que representasse o entra e sai de estudantes, assim como as andorinhas fazem os seus ninhos. Eu tive a possibilidade de passar um tempo em Campinas com ela e de musicar a escultura. Faço essas referências para dizer que sempre tive muitas experiências em Campinas, todas elas muito boas.”