A presente pesquisa apresenta análises referentes ao estilo de funk, denominado como “funk lésbico” por algumas cantoras de funk, participantes das festas e mulheres envolvidas com a comunidade lésbica de São Paulo. O funk lésbico se caracteriza de uma narrativa erótica, que contém palavrões, porém relacionados ao corpo e prazer feminino e lésbico. Uma das primeiras MCs lésbicas e representantes deste estilo foi a MC Mano Feu, com quem trabalhei na etnografia e que se apresentou nas festas lésbicas. Foram pesquisadas duas festas: a Sarrada no Brejo e a Fancha, voltadas ao público exclusivamente lésbico e que aconteciam no centro da cidade de São Paulo. Serão apresentadas as descrições desses eventos, como também os modos de produção e ressignificação do funk, que envolve sonoridade, poética dos palavrões e engajamento de corpos excluídos por razão de classe, raça e gênero, e por serem diferentes dos moldes comerciais de beleza. Serão discutidos os modos de produção e performance individual das funkeiras que fazem este estilo de funk. A pesquisa demandou outras formas de metodologia, além da etnografia, como a realização de entrevistas semi-estruturadas, registros de áudio e imagens e produção de documentário sobre a pesquisa. Por lidar com um campo que contém aspectos sensíveis referentes principalmente à privacidade das participantes, abordarei de maneira cautelosa, algumas questões referentes a conteúdos delicados que surgiram ao longo da pesquisa. Neste contexto do funk lésbico, as letras serão analisadas a partir de um eu lírico que reivindica autonomia do corpo com a poética dos palavrões, bem como a formação de espaços de engajamento, como as festas. Neste sentido será abordado o espaço no qual o funk lésbico transita, pois embora as festas ocorram em contexto privado e protegido, é fora deste espaço, na vida cotidiana, que as vivências são problematizadas e onde as lésbicas precisam usar estratégias contra homofobia e violência de todas as formas. Serão mencionadas algumas MCs que vieram antes, abrindo trincheiras no mercado masculino do funk, assim como destacarei as MCs que faziam o funk lésbico no período da pesquisa. Tendo em vista as interseccionalidades que ocorrem no contexto das festas, é possível observar o corpo lésbico como um portador de sinais, conforme será discutido nesta tese.