Esta tese como objetivo central investigar a música instrumental do candomblé de tradição nagô-ketu, explorando possibilidades interpretativas a partir do instrumento bateria. Dividida em duas partes, na primeira são investigadas práticas musicais de terreiros localizados na cidade de Salvador - Bahia, mais especificamente os terreiros Ilê Axé Iyá Nassô Oká (Casa Branca), Ilê Iá Omi Axé Iyámassê (terreiro do Gantois) e Ilê Òsùmàrè Aràká Àse Ògòdó (Casa de Oxumarê). Inicialmente, através de dados fornecidos por entrevistas realizadas com três mestres contemporâneos da música afrobaiana - dados estes acrescidos a informações presentes na bibliografia especializada -, o contexto musical religioso afrobaiano é apresentado; na sequência, sete ritmos, que neste universo musical são conhecidos por “toques”, são investigados, sendo eles: Vassi, Toque para Ogum, Jicá, Agueré, Toque para Ossaim, Daró (ou Ilú) e Opanijé. Encerrando a primeira parte, características da música instrumental do candomblé ketu são comparadas às musicalidades de complexos religiosos próximos, bem como outras musicalidades afrodiaspóricas e africanas. A abertura da segunda parte compreende apresentação do contexto baterístico/percussivo soteropolitano, a partir do compartilhamento de dados provenientes de entrevistas realizadas com três profissionais dos tambores, cujas práticas estão intimamente vinculadas às musicalidades do candomblé. Na sequência, são discutidas as dinâmicas que envolvem o instrumento bateria suas características e especificidades, comparadas ao restante do campo percussivo. Seguindo, estratégias de estudo para o instrumento bateria, a partir do material investigado na pesquisa, são compartilhadas. Finalizando, performances artísticas realizadas pelo autor, diretamente influenciadas pelas investigações realizadas no período de doutoramento, são descritas e analisadas.