A fundação da Sociedade Symphonica Campineira em 1929 por um grupo de músicos na cidade de Campinas marcou o início de anos de lutas pelo estabelecimento e permanência da prática musical sinfônica, no contexto da formação e fortalecimento das primeiras orquestras de concerto no país. No horizonte da memória campineira, a presença de uma narrativa que associava a cidade a uma identidade musical - berço do maior compositor brasileiro do século XIX, Antonio Carlos Gomes (1836-1896), dialogava com a Sociedade Sinfônica e sua orquestra, atribuindo-lhe sentidos e representações em harmonia com o discurso da cidade musical. A observação de tal narrativa, no entanto, permitiu perceber as contradições entre uma suposta identidade local voltada à música e o cotidiano de dificuldades que marcaram a trajetória da Sociedade Sinfônica, desafiada pela ausência de recursos materiais e distanciamento do apoio do poder público, em um período anterior à implementação de políticas públicas em favor da cultura. O objetivo do estudo tornou-se, assim, construir uma leitura sobre as ações de vinculação estabelecidas pela Sociedade Symphonica Campineira no interior do campo musical local, com aproximações com o campo de poder, por meio da atuação de seus agentes, identificando os caminhos estratégicos para sua inserção, para seu estabelecimento como grupo de música sinfônica e para a criação de um espaço reconhecido para suas práticas musicais, sob a perspectiva do campo musical enquanto espaço de disputas, apropriando-se das considerações de Pierre Bourdieu. A pesquisa ainda procurou identificar, à disposição de interessantes documentos, as relações da Sociedade Sinfônica com a comunidade musical local e seus impactos na criação de um espaço para a música de concerto na cidade.