Investigam-se as transformações nas categorias de autoria, criação e imagem resultantes da integração de sistemas de inteligência artificial generativa no campo das artes visuais. O objetivo geral consiste em analisar as implicações estéticas e epistemológicas dessa mediação técnica, com foco na desconstrução crítica do conceito de “novo artífice” e na proposição de um léxico que recuse o antropomorfismo algorítmico. A metodologia fundamenta-se na articulação entre as dimensões genealógica, crítica e fenomenológica, percorrendo a história da arte computacional desde seus precursores até os atuais modelos de síntese probabilística, complementada pela análise de obras e projetos curatoriais. Os resultados evidenciam que a interação entre artista e sistema não se estabelece como uma parceria criativa, mas como um acoplamento operacional assimétrico. Nesse arranjo, a agência criativa é mantida no polo humano, sendo deslocada da execução formal direta para a prescrição de sentidos e a curadoria de contingências no interior do espaço latente. A pesquisa se vale do conceito de segundo obturador para descrever o novo estatuto do gesto artístico no regime pós-fotográfico e explora o modelo de criação centrada no coletivo (CCC) como alternativa para descrever a redistribuição da autoria em redes sociotécnicas. Conclui-se que a inteligência artificial atua como um dispositivo de síntese estatística que opera sobre o “existente inexistente”, consolidando a imagem sintética como uma forma radical de simulação desprovida de referente físico.