Esta tese esmiúça o processo de criação do próprio autor, centrado no trabalho com gravura em maneira-negra (ou mezzotinta). Foi sobretudo através do exercício da escrita – vasculhando a memória, encontrando associações entre lugares, objetos, imagens, leituras e a prática da gravura – que se buscou evidenciar aspectos imateriais desse ofício que envolve ostensivamente a materialidade. Essa busca por meio da palavra é acompanhada de registros visuais, com a intenção de que se complementem em uma representação do que acontece internamente ao gravar. O conjunto do material produzido documenta o processo como um percurso metafórico que se entrelaça com caminhos reais, e inclui relatos de passagens por regiões dos estados de São Paulo, Goiás e Minas Gerais (em especial vivências pela cidade de São Simão, SP), sempre com o olhar contaminado pela gravura e pela literatura (que aqui se concentra em impressões sobre a obra de Jorge Luis Borges). Conclui-se em uma teia de palavras e imagens, entre percepções da prática, que para traduzir o que é fazer gravura e expor a experiência de trabalhar com essa linguagem, em sua dimensão mais ampla, vai se desenvolvendo por uma zona cinzenta, considerando indefinições, incertezas e contradições.