Esta tese investiga caminhos poéticos de acessibilidade a partir dos princípios expressivos da dança clássica indiana em diálogo com a cultura afro-brasileira. Inserida na linha “Técnicas e processos de formação do artista da cena”, a pesquisa aborda o trânsito entre culturas e a construção de formas de acesso sensíveis a diferentes corpos, memórias e modos de existir. Compreende-se a acessibilidade como um constructo social e cultural, analisando concepções de normalidade, eficiência e pertencimento, bem como mecanismos de apagamento histórico e manutenção de desigualdades. O objetivo é delinear um fazer artístico não excludente, integrativo do processo criativo ao compartilhamento da obra. A investigação articula teoria e prática, ancorando-se no repertório narrativo da dança indiana e na mitologia iorubá, valorizando história, memória e ancestralidade. O percurso metodológico incluiu estudos bibliográficos, oficinas, vivências e observações, sendo atravessado pela pandemia, que deslocou a cena para o vídeo e ampliou a tecnologia como campo de experimentação comunicacional. Como resultado, foram produzidos três vídeos baseados em contos dos orixás, nos quais a dança indiana é acionada como estratégia poética de acessibilidade.