EU NÃO SOU SANTA: Uma poética da desobediência.

Doutorado em Artes da Cena
Orientando
Monique Cardoso Ferreira
Orientador
Gina Maria Monge Aguilar
Data
Sex, 20 de mar de 2026 às 09:00hs
Local
Sala de Defesas - IA
Resumo

Desenvolvida no âmbito do Doutorado em Artes da Cena, do Programa de Pós-Graduação em Artes da Cena, da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), sob a orientação da Profa. Dra. Gina María Monge Aguilar,e com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), a pesquisa EU NÃO SOU SANTA: uma poética da desobediência nasce como uma investigação poético-política que emerge da necessidade de enfrentamento às violências históricas, simbólicas e materiais às quais mulheres são submetidas. Por meio de ações artísticas — performances, espetáculos, vivências, debates e práticas de criação — a pesquisa propõe a construção de contranarrativas às políticas de morte que atravessam os corpos femininos, especialmente em contextos em que tradição, fé e violência se entrelaçam. A partir do meu corpo entendido como arquivo vivo, esta investigação articula memórias pessoais de violação às estórias das quinze Marias que me antecedem em três gerações, em diálogo direto com o Cariri cearense, suas tradições culturais e as narrativas de santas populares da região, mulheres assassinadas que, após a morte, foram santificadas pelo povo e/ou pela Igreja. Ao tensionar esses processos de sacralização da violência, a pesquisa questiona os modos como a morte feminina é romantizada e convertida em pedagogia moral, enquanto as estruturas patriarcais que a sustentam permanecem intactas. A metáfora da pedra Cariri, com suas camadas geológicas, fósseis e marcas do tempo, atravessa a pesquisa como imagem e método, operando como uma paleontologia do ser: um escavar das violências vividas, reconhecidas e ressignificadas, para a construção de poéticas que afirmam a vida como gesto de desobediência. Nesse sentido, a criação artística é compreendida como prática de uma micropolítica, capaz de desorganizar lógicas de silenciamento, controle e aniquilamento. Ao propor a desobediência como princípio poético, ético e metodológico, a pesquisa busca subverter tradições alicerçadas no patriarcado e colaborar para a invenção de outras formas de existir, criar e permanecer viva. Trata-se de um gesto que não pretende heroísmos, mas insiste na vida, para que o viver, um dia, não precise mais ser um ato de desobediência. Dialogo, como principais referências, com autoras e artistas que pensam o corpo, a memória, a performance, o feminismo, a colonialidade e a criação, como campos de disputa e reinvenção, entre elas: Ileana Diéguez, Jota Mombaça, Silvia Cusicanqui, Leda Maria Martins, Carla Akotirene, Patrícia Hill Collins, Rosana Paulino, Maria Rita Kehl, Grada Kilomba, Silvia Federici, Suamy Soares, Laura Rita Segato, Dia Nobre, Eleonora Fabião, Conceição Evaristo, e Fernanda Júlia Barbosa (Onisajé).