Xisto Bahia teve uma importância ainda não mensurada em sua totalidade para a arte brasileira. Ao longo de sua carreira, ele se dedicou incessantemente aos palcos nacionais, articulando, criando e difundindo uma cena negra no teatro oitocentista. Essa atuação foi fundamental não apenas para as artes cênicas em geral, mas especialmente para a construção de uma estética teatral fundada na cultura negra brasileira. Atuando como autor, ator, diretor e músico versátil, transitou pelo melodrama, pela sátira social, teatro de revista e pelo teatro de variedades, transformando a cena em um instrumento direto de combate ao sistema escravocrata e de afirmação da cidadania negra. Diante das lacunas documentais e analíticas que envolvem sua produção, esta tese propõe-se a mapear sua inserção e permanência nos palcos. Sob uma perspectiva diaspórica, coletiva e decolonial, busca-se compreender e reconhecer Xisto Bahia como um artista negro que impulsionou o teatro negro no Brasil. Esta manifestação teatral revela-se, em seus próprios materiais, como um espaço fundamental de agência, potência e resistência política. Longe de limitar-se ao entretenimento, a cena afro-brasileira transformou os palcos em territórios de subversão de estigmas raciais e de conquista de cidadania, legando a base para a cena negra do século seguinte. Por conseguinte, este trabalho objetiva fomentar debates sobre a arte negra no século XIX, compreendendo que, por meio da oralitura e da corporeidade, o corpo negro atua como um documento vivo que preserva, reinventa saberes ancestrais e afirma sua memória e dignidade cultural.