Cordelistas atuantes a partir de 1950 atravessaram tanto o auge do mercado editorial de folhetos no Nordeste do Brasil quanto sua crise. Na década de 1970, em meio às dificuldades de produção e comercialização, vivenciaram a valorização da literatura e da xilogravura de cordel por parte de intelectuais independentes e de agentes ligados ao mercado de arte, a instituições culturais, universidades e órgãos governamentais. Nesse contexto, essas manifestações consolidaram-se como objetos de colecionamento, estudo, exposição e referência estética para movimentos artísticos de caráter regionalista. Por meio da análise da trajetória do poeta e gravurista pernambucano Dila de Caruaru (1937– 2019), esta pesquisa discute as transformações das condicionantes sociais de sua produção visual ao longo da segunda metade do século XX. Aborda, ainda, como agentes de diferentes campos se relacionaram com seu mundo da arte, contribuindo para o reconhecimento de Dila como Patrimônio Vivo de Pernambuco. Articulando pesquisa documental, trabalho de campo e entrevistas, examinam-se as dinâmicas constitutivas do percurso criativo do poeta-gravurista, bem como os modos de circulação de expressões culturais situadas às margens, ou nos entre-lugares, do sistema cultural nacional.