O branco como cor possui diferentes aplicabilidades de acordo com perspectivas históricas e contextos sociais. No entanto, é por meio da arte que seus limites são testados e esgarçados, buscando turbulências constantes diante a dualidade de sua natureza. Ao mesmo tempo que apaga, também evidencia a forma. A presente pesquisa é resultado de uma obstinação pessoal diante do rigor do branco, transformada em um panorama poético. Em formato antológico, inicia com uma investigação sobre as raízes da distinção da cor branca em relação a outras. Em sequência, procura-se definir o que é a cor branca, suas propriedades e os diferentes contextos em que foi associado. Nesse processo, um levantamento de outras obsessões sobre o branco é apresentado, demonstrando que é uma experiência compartilhada por diferentes conotações. Para além das implicações cromáticas, o branco pode ser uma ferramenta de obliteração de imagens, organização espacial e experiências visuais, que buscam desde um alto estímulo visual à invisibilidade. A amplitude de possibilidades não é apreendida em sua totalidade, contudo o recorte apresentado encontra fértil terreno entre os espaços híbridos de caos e organização. Ao longo da tese, textos de caráter mais técnico e descrito são balanceados com a exposição de processos artísticos e narrativas de experiências espaciais que confluem no objeto de estudo. Debruçar-se sobre uma temática tão sucinta para um cruel limite e massante descrição de caráter fenomenológico sobre as propriedades da cor branca. Todavia, o que se inicia com um bloqueio artístico é ressignificado em um fluxo de significações, em que a cor é mais do que um artifício e apresenta suas potencialidades bifrontes. De maneira monádica, o panorama poético do branco é uma constante argumentação sobre adversidades que nascem e perecem sobre nostálgicas ruínas.