Documentários do eu: Atualizações de memória entre arquivo e espaço

Doutorado em Multimeios
Orientando
Laís de Lorenço Teixeira
Orientador
Ana Carolina De Moura Delfim Maciel
Data
Qua, 13 de maio de 2026 às 13:30hs
Local
CPG IA
Resumo

Os documentários do eu são filmes organizados a partir de um eu narrativo que se constrói com a obra e não é necessariamente coincidente com a diretora. No contexto de produção documental contemporânea latino-americana, estas obras conformam um campo de expressão subjetiva mediado e construído de grande expressão. Dessa forma, constitui-se o campo a partir da intersecção de autobiografia, documentário em primeira pessoa e filme-ensaio. Outrossim, a pesquisa desenvolve como estas obras se utilizam de materiais de arquivos e de articulações (presença, rememoração, referência) com o espaço em seu trabalho de memória.

Em um campo documental que já assimila a presença do eu subjetivo e pessoal como liame narrativo, o corpus dessa pesquisa se organiza a partir de cinco obras, destacando entre elas as recorrências e intersecções dos usos de documentos em diversos suportes (gravações de áudio e vídeo antigas, fotografias etc.) e as interações no espaço, sempre pensados a partir da construção e inscrição do eu memorialístico. São elas: Con mi corazón en Yambo (María Fernanda Restrepo, 2011, Equador); 108: Cuchillo de palo (Renate Costa, 2011, Paraguai); Silvia (María Silvia Esteve, 2018, Argentina-Chile); Tudo Vai Ficar da Cor que Você Quiser (Letícia Simões, 2015, Brasil) e Hija (María Paz González, 2011, Chile).

Os documentários reunidos nesta pesquisa indicam um uso reiterado de documentos e de visitas a lugares do passado para inquirição sobre acontecimentos e atualização da memória, com esforços de criação de sentido, empreendidos na inscrição do eu, na articulação política, no elemento familiar-doméstico, na montagem e na prática da realização documental em si.

Os materiais de arquivo, amplamente utilizados no documentário de cunho subjetivo, oferecem outros contornos que a simples ilustração e comprovação do ocorrido. Do mesmo modo, a presença e referência a espaços vai além de palco e local dos acontecimentos, funcionando como agregador e criador de sentidos na obra documental, sendo utilizados para a construção narrativa de um eu.