MODINHAS, EMBOLADAS E BAIÕES: Os gêneros populares brasileiros no Chôro para Violoncelo e Orquestra de Camargo Guarnieri

Doutorado em Música
Orientando
Arysselmo Lima Vieira
Orientador
Marcos da Cunha Lopes Virmond
Data
Seg, 31 de ago de 2026 às 14:00hs
Local
Sala 3 da CPG IA
Resumo

Nacionalista nato, Camargo Guarnieri é dono de uma longa e produtiva carreira. Desde muito jovem, manifestou uma grande inclinação para a estética nacionalista, e não por acaso associou-se a Mário de Andrade, com quem teve seu embrionário senso nacionalista potencializado, paralelamente abaliza sua técnica no campo formal da escrita musical com o maestro italiano Lamberto Baldi, no Brasil e Charles Koechlin, na França. No decorrer de mais de 70 anos, compôs cerca de 700 obras, das mais diferentes formas e formações, e embora pequena, dentro do vasto universo composicional de Guarnieri, tem aninhadas sete obras para violoncelo (seis para violoncelo e piano, e uma para violoncelo e orquestra) que contemplam todas as suas fases. A única peça concertante para o instrumento é o Chôro para Violoncelo e Orquestra, composto em 1961, encomendado e dedicado ao violoncelista potiguar Aldo Parisot, a quarta obra produzida com essa alcunha, dando continuidade à produção de uma série de concertos, iniciada em 1951 com Chôro para Violino e Orquestra, logo após a divulgação da Carta Aberta aos Músicos e Críticos do Brasil de 1950, o que pode ser compreendido como um movimento de combatividade para com as novas tendências que à época ganhava projeção no mundo. A própria designação de Chôro reflete o pensamento nacionalista de Guarnieri que rechaça, mesmo que parcialmente, o habitual uso de títulos e andamentos com expressões europeias, enquanto coloca em evidência elementos que idiomaticamente traduzem a música do nosso país. O Chôro para Violoncelo, composto em apenas um mês, atesta a genialidade de Guarnieri, que alia duas grandezas difíceis de conciliar, seu notório formalismo, e a inspiração, essa última inclusive comprova sua predileção pelo uso de gêneros populares brasileiros. Diante desse lacônico arrazoado surgiram algumas questões que deram origem a esta pesquisa: Guarnieri utiliza tópicas nacionais? Se sim, quais seriam? Qual é o tratamento composicional empregado para ilustrar cada grupo? O objetivo com esta pesquisa é identificar as Tópicas empregadas na obra, e como forma de atingi-lo, utiliza-se a Teoria das Tópicas, proposta que tem sua origem na retórica aristotélica, transubstanciada para o discurso musical por Leonard Ratner. Como resultado da investigação, entende-se que sua produção composicional reflete sua inconsciência nacional, manifestada pelo emprego de procedimentos composicionais que aproximam sua linguagem da essência da música brasileira. Ademais, observa-se a utilização sistemática de tópicas nacionais ao longo de sua obra.