Esta pesquisa concentrou-se em processos de síntese sonora em tempo real, para permitir que musicistas cegos pudessem atuar em sessões coletivas de experimentalismo musical, com improvisações e composições musicais realizadas de maneira instantânea, através do software Pure Data, com o uso do leitor de tela NVDA. A tônica deste projeto foi a busca constante da maior garantia possível aos musicistas cegos do binômio autonomia e interação, que se configurou como o balizador central de todo o trabalho. Entende-se aqui por autonomia a atuação do musicista cego sem necessitar do auxílio de uma pessoa vidente para tal, e por interação entende-se a sua participação em uma performance tocando junto com outros musicistas, sejam estes cegos ou videntes. A metodologia utilizada teve uma abordagem qualitativa na forma de pesquisa-ação. O objetivo geral foi expandir o conceito de acessibilidade para pessoas cegas em ambiente computacional. Para realizar os estudos foram selecionados: 1) um software, o Pure Data; 2) uma categoria de utilização, a síntese sonora através de linguagem de programação; 3) um contexto de utilização, a performance musical coletiva. As propostas de acessibilização do Pure Data produzidas nesta pesquisa foram testadas e validadas por um grupo voluntário composto por musicistas cegos. Os resultados obtidos após a análise de dados e fatos apontaram para duas conclusões: por um lado a falta de acessibilidade existente nativamente em softwares para o uso na Música, evidenciando que uma acessibilidade efetiva demanda mais do que somente uma boa interação do software com o leitor de tela, para acontecer de fato é necessário que haja razoáveis condições de perceptibilidade e operabilidade; por outro lado, qualquer tipo de melhoria de acessibilidade, ainda que incompleta ou mínima, já tem sua importância e utilidade, indicando que a busca pela promoção da acessibilidade é muito necessária, independentemente se, à priori, os benefícios advindos não puderem ser avaliados como satisfatórios.