POR UMA PEDAGOGIA DE ATUAÇÃO PARA O AUDIOVISUAL

Mestrado em Artes da Cena
Orientando
Anelise de Brito Turela Ferrão
Orientador
Suzi Frankl Sperber
Data
Sex, 23 de ago de 2024 às 14:00hs
Local
Modo híbrido (à distância pelo link e presencialmente na Sala 03 da CPG/IA)
Resumo

Este estudo objetivou examinar as possibilidades para a formação de atores e atrizes para atuarem no meio audiovisual. Como a formação tradicional em Artes Cênicas é voltada ao ofício teatral, são muitos os questionamentos dos artistas que desejam atuar nesse meio: existem técnicas e métodos específicos de interpretação ou conhecimentos teóricos e práticos mais apropriados para melhorar o desempenho ou é o meio que, através de suas características e formatos, faz com que exista essa diferença de atuação? A partir disso, analisou-se, primeiramente, como as particularidades do meio audiovisual influenciam diretamente no trabalho dos artistas dentro de seu modo de realização. A pesquisa é iniciada, ponderando-se sobre a “Pré-produção” ao abordar conceitos sobre Casting para a escolha do elenco; a importância do Roteiro e sua Análise, refletindo sobre o papel dos ensaios dentro do audiovisual. Destacou-se também a investigação da “Produção”, o momento de gravação no set de filmagem; o funcionamento da decupagem cinematográfica; a fragmentação e repetição da cena para os vários planos; a filmagem feita em forma descontínua da narrativa original, em contraposição à preocupação com a continuidade das ações físicas dos atores no vídeo. O texto abordou as diferenças de execução e encenação entre o cinema e a televisão, partindo da lógica de gravações multicâmera da televisão e da câmera única do meio cinematográfico e, em seguida, descreveu sobre a “Pós-produção”, analisando a capacidade da Edição em transformar e ressignificar a atuação dos intérpretes. Investigou-se também o conceito de Direção de Atores e o papel das pedagogias de atuação no audiovisual, destacando a influência da visão de atuação, no cinema, dos primeiros realizadores russos e também uma Direção de Atores não orientada a resultados, mais contemporânea, elaborada por Judith Weston. Discorreu-se sobre as técnicas de atuação e como os atores podem criar um procedimento pessoal que dialogue e colabore com a direção, tendo em vista as quatro abordagens pedagógicas de interpretação surgidas nos Estados Unidos, através de releituras e apropriações do Sistema de Stanislavski, as quais foram criadas por Strasberg, Stella Adler, Sanford Meisner e Uta Hagen, expondo seus principais fundamentos, pontos negativos e benefícios. Pode-se concluir que, por meio deste estudo e com o compartilhamento da prática de uma pesquisadora-artista, ao expor a busca pessoal para uma formação em atuação para o audiovisual, através dos seus cursos realizados, relacionados a essa temática, muitos processos criativos de encenações foram vivenciados nos moldes de produção do audiovisual, bem como pode-se reafirmar como foi útil utilizar as pedagogias de atuação aqui explicitadas para a criação dos personagens, relacionando, assim, a experiência prática com a discussão teórica apresentada neste trabalho.