AMADORA: Trajetória artística e dramaturgia de Guilhermina Rocha (1879-1938)

Doutorado em Artes da Cena
Orientando
Sofia Fransolin Pires de Almeida
Orientador
Larissa De Oliveira Neves Catalao
Data
Ter, 25 de ago de 2026 às 13:30hs
Local
Modo híbrido (à distância pelo link e presencialmente na Sala 03 da CPG/IA)
Resumo

A presente tese de doutorado visa apresentar um olhar sobre a historiografia teatral brasileira no que tange, em especial, às duas primeiras décadas do século vinte, a partir da perspectiva de uma personagem ainda pouco conhecida: a atriz e dramaturga Guilhermina Rocha. Apoiando-me na pesquisa de viés biográfico, o estudo se deu primordialmente por meio do levantamento de informações inéditas sobre a trajetória profissional da artista em fontes primárias, predominantemente, porém não exclusivamente, localizadas em buscas pela Hemeroteca Digital. Neste sentido, apoio-me no termo “amadora” para construir a narrativa de Guilhermina Rocha, tanto porque o seu início no ofício se deu no grupo de teatro amador Hodierno Club, como também pela sua evidente e apaixonada entrega à profissão. Alio a construção da biografia profissional de Guilhermina Rocha no teatro a um estudo aprofundado sobre a sua produção dramatúrgica, possível graças à localização de três dramaturgias publicadas e de três manuscritos de sua autoria. Analiso, assim, cada uma de suas seis obras à luz dos principais gêneros teatrais do período, seja sob a influência das vanguardas modernas europeias, em especial o naturalismo e o simbolismo, seja sob a influência do indiscutível sucesso do Teatro Ligeiro, que predominava nos palcos brasileiros. A dicotomia entre o Teatro Sério e o Teatro Ligeiro, já largamente abordada nos estudos sobre o teatro brasileiro do período, surge aqui não somente como uma oposição irreconciliável, mas como duas faces de uma mesma trajetória pendular, que ora basculava em direção à tentativa de criar uma nova dramaturgia nacional, apoiada na forte influência da tradição teatral francesa como forma de chancelar sua qualidade literária, ora cedia ao apelo popular e à viabilidade comercial dos gêneros musicados. O “abandono” da carreira artística de Guilhermina Rocha e a sua dedicação ao exercício da medicina não são encaradas, por fim, como marcas de um fracasso artístico, mas como reflexo das dificuldades interpostas àquelas e àqueles que escolheram o teatro como ofício em um país que, até hoje, custa a encarar-nos como trabalhadores.