Apropriação criativa de técnicas de escuta e aprendizado de máquina voltadas à prática composicional da live-electronics

Doutorado em Música
Orientando
Vinícius César de Oliveira
Orientador
José Henrique Padovani Velloso
Data
Qui, 26 de fev de 2026 às 14:00hs
Local
Núcleo Interdisciplinar de Comunicação Sonora - sala multiuso
Resumo

O presente trabalho visa empreender um processo de apropriação crítica e criativa de técnicas e algoritmos voltados à escuta e aprendizado de máquina, tendo como perspectiva a incorporação de tais modelos computacionais à prática composicional da live-electronics. Para tanto, a tese estrutura-se em três frentes: (1) reflexão crítica e contextual; (2) estudo técnico e teórico; e (3) discussão reflexiva acerca do processo composicional. Essas três abordagens são apresentadas, respectivamente, em cada uma das três partes da tese, evidenciando, assim, o aspecto criativo como fio condutor da pesquisa. A primeira parte dedica-se à problematização e a uma reflexão crítico-analítica do atual uso de ferramentas e plataformas de inteligência artificial, discutindo as crises estética, ética e social em algumas práticas artísticas, em diálogo com as noções de cosmotécnica e tecnodiversidade de Yuk Hui. À luz das ideias de Gilbert Simondon, expandimos o conceito marxista de alienação para o campo das relações psicossociais com a técnica, propondo uma práxis composicional inventiva e exploratória como resposta à alienação imaginativa diante do emprego de tais ferramentas. A segunda parte descreve o estudo dos algoritmos e modelos de redes neurais, seus mecanismos e operações matemáticas, culminando na apresentação da biblioteca conTorchionist, uma série de ferramentas flexíveis projetadas e desenvolvidas para exploração de redes neurais em contexto de criação e pesquisa. A terceira parte apresenta um relato dos processos composicionais, abordando a dinâmica e o fluxo de trabalho no emprego criativo das ferramentas desenvolvidas e, ao mesmo tempo, discutindo aspectos poéticos e aproximações criativas. Por fim, o trabalho apresenta de forma introdutória Eutrópia III (2025), para flauta e live-electronics, peça composta no contexto de desenvolvimento desta pesquisa.