O cinema político italiano e sua recepção crítica no Brasil

Doutorado em Multimeios
Orientando
Gabriel Bueno Lisbôa
Orientador
Ignacio Del Valle Davila
Data
Ter, 04 de ago de 2026 às 09:00hs
Local
Modo híbrido (à distância pelo link e presencialmente na Sala 03 da CPG/IA)
Resumo

Após a retomada das produções com o fim da Segunda Guerra Mundial, o cinema italiano vivenciou, entre as décadas de 1950 e 1970, sua “Era de Ouro”, marcada por um volume de produção e exportação sem paralelos na Europa. Inserido nesse contexto, surge entre 1962 e 1978 o cinema d’impegno civile, um ciclo de filmes que operou uma transição do caráter mais humanista do neorrealismo para um viés ideológico declarado, contundente e de teor investigativo. A singularidade desse movimento reside na hibridização de pautas políticas com o cinema de gênero – como o suspense, o melodrama e a comédia –, estratégia que visava alcançar o público massivo e conquistar hegemonia cultural sob preceitos gramscianos adotados pelos cineastas. Mapear esse cinema e explicar as divergências entre seu sucesso comercial e as objeções da crítica militante da época são os objetivos deste trabalho. Para tanto, a pesquisa analisa a trajetória de cineastas como Francesco Rosi, Damiano Damiani e Elio Petri e coteja as estruturas de gêneros específicos, notadamente o thriller investigativo e o poliziottesco, para averiguar como um conteúdo político aparecia em propostas aparentemente divergentes. Finalmente, a tese analisa a recepção crítica do cinema d’impegno no Brasil durante a década de 1970. Esta análise justifica-se pelo fato de que a circulação desses filmes no circuito comercial brasileiro permitiu que críticos de jornais de grande circulação pudessem promover reflexões sobre temas como autoritarismo, violência policial e corrupção, tópicos que sofriam restrições e censura com mais intensidade em outras seções da mídia impressa durante a ditadura militar.