Esta tese investiga a obra Contrastes (1969), de Dinorá de Carvalho, a partir da articulação entre processos editoriais, prática interpretativa e estudo performativo. O trabalho tem como ponto de partida a necessidade concreta de elaboração de uma edição crítica da obra, preservada no acervo do Centro de Documentação de Música Contemporânea da UNICAMP, e desenvolve-se a partir de um percurso que integra análise documental, reflexão metodológica e prática pianística. No primeiro capítulo, a pesquisa situa Contrastes no contexto da produção da compositora, destacando aspectos de sua poética e de sua progressiva aproximação a procedimentos atonais. Em seguida, propõe-se a adaptação sistemática de princípios da crítica textual literária, especialmente a partir de Cambraia (2005), ao campo da edição musical, estabelecendo critérios, nomenclaturas e protocolos editoriais aplicáveis ao repertório musical do século XX. A partir dessa base, a tese discute o papel ativo do intérprete nos processos editoriais, defendendo o estudo performativo como ferramenta fundamental para a identificação e resolução de lugares-críticos na edição musical. Como desdobramento dessa reflexão, apresenta-se a Prática por Segmentação Motora (PSM), método de estudo pianístico que articula referências da cognição musical (chunking), da biomecânica e do gesto motor, visando à aprendizagem e à internalização de repertório de linguagem moderna. A PSM é demonstrada por meio de exemplos extraídos de Contrastes, acompanhados de registros audiovisuais. Ao integrar edição, performance e estudo, a tese contribui tanto para a difusão da obra de Dinorá de Carvalho quanto para a sistematização de procedimentos editoriais e pedagógicos que valorizam o saber do artista-pesquisador, oferecendo ferramentas metodológicas replicáveis para pesquisas futuras.