A improvisação nas vozes negras diaspóricas de Clementina de Jesus e Tania Maria

Doutorado em Música
Orientando
Ilessi Souza da Silva
Orientador
Regina Machado
Data
Sex, 27 de fev de 2026 às 13:00hs
Local
Sala 3 - Pós-Graduação IA - UNICAMP
Resumo

Resumo

A presença de mulheres na música no Brasil se dá majoritariamente no cenário do canto

popular brasileiro, ao contrário do restante do cenário musical onde predominam os homens,

representado por compositores e músicos que executam outros instrumentos que não sejam a

voz. O estudo sobre a improvisação vocal no Brasil vem crescendo recentemente, não sendo

comum, no entanto, a citação de cantoras negras como improvisadoras. Este trabalho é

dedicado a analisar e refletir sobre a improvisação vocal nas obras de Clementina de Jesus e

Tania Maria. O objetivo é apontar para o caráter vanguardista de ambas as cantoras,

dialogando com a tradição, mas ao mesmo tempo vivendo, apreendendo e construindo a

música de seu tempo com muita originalidade. Busca-se também indicar o desenvolvimento

de diferentes estilos de improvisação vocal presentes em suas performances e realizar um

trabalho de pesquisa artística em gravação de álbum, inspirado por esses estilos. Este

desenvolvimento parte tanto de um aprendizado auditivo e intuitivo, no caso de Clementina,

quanto o mais pautado em estruturas musicais formais, com influência do jazz e da

linguagem de outros instrumentos musicais, no caso de Tania. Ambas apresentam em seu

canto o sentimento de anseio de retorno ao seu lugar, a sua origem. É o caráter diaspórico da

obra dessas duas artistas, que se dá tanto pela transmissão cultural África-Brasil, quanto pelo

desejo de marcar seus lugares de atuação, dentro e fora do Brasil, garantindo suas

sobrevivências e reconhecimentos.