A tese investiga as produções audiovisuais da produtora Brasil Paralelo (BP), autodenominadas "documentários", compreendendo-as como instrumentos estratégicos de formação política e de construção de pertencimento para a direita conservadora contemporânea. O objetivo principal é debater como se estrutura o discurso dessas narrativas, analisando as estratégias de produção de sentido e as lógicas de legitimação mobilizadas no ambiente digital. A hipótese central defende que a eficácia discursiva da BP reside na articulação de três elementos fundamentais: a apropriação de aspectos formais do documentário clássico (criando um efeito-documentário que gera um efeito-verdade), o uso de estratégias de propaganda potencializadas pelas lógicas de engajamento das redes sociais, e a adoção da estrutura de comunicação "olavista", marcada pela desconfiança contra os mediadores tradicionais do conhecimento. Por meio de uma abordagem interdisciplinar que dialoga com os estudos de cinema, teoria da comunicação, semiótica e estudos políticos, a pesquisa propõe um roteiro analítico aplicado a três obras representativas da produtora: 1964: O Brasil entre armas e livros (2019), episódios da série As Grandes Minorias (2020-2021) e A face oculta do feminismo (2022). A análise demonstra que a engrenagem de persuasão da Brasil Paralelo se padroniza e se sustenta em três eixos discursivos inseparáveis que são repetidos à exaustão: O inimigo e sua ideologia; A verdade escondida e sua fabulação; A inversão ou a rebeldia à direita. Conclui-se que, ao recontextualizar o revisionismo histórico e as disputas morais sob o signo documental, a produtora mobiliza afetos e estabelece novos regimes de verdade, desempenhando para seu público um papel crucial na configuração de uma episteme conservadora de direita no Brasil.