Esta tese investiga a simetria como operador formal, histórico e epistemológico no campo da arte afro-brasileira, articulando-a aos problemas da autobiografia visual, da distinção e da endogamia visual. A pesquisa parte da prática artística do autor e compreende a simetria não como promessa de equilíbrio ou solução compositiva, mas como operação ambivalente: ela organiza, estabiliza e torna legível, ao mesmo tempo que pode tensionar os regimes que classificam, autorizam e capturam determinadas formas no sistema da arte. A noção de endogamia visual é formulada para nomear o momento em que formas, imagens e procedimentos produzidos em matrizes historicamente densas passam a circular como repertórios reconhecíveis de pertencimento, autenticidade, ancestralidade, diferença ou radicalidade crítica. O trabalho não trata a arte afro-brasileira como categoria pacificada, mas como campo historiográfico, institucional e formal em disputa. Metodologicamente situada nas poéticas visuais, a tese articula análise de obras, reflexão teórica, estudo de fontes e escrita em primeira pessoa, entendendo a autobiografia visual não como confissão, mas como modo de investigar como uma posição situada se organiza formalmente. O primeiro capítulo formula o problema da endogamia visual e discute a simetria como operador de ordem e desvio. O segundo capítulo analisa Rubem Valentim, Almir Mavignier e Emanoel Araujo a partir de suas relações com signo, retícula, madeira, gravura, coleção, instituição e formação do olhar. O terceiro capítulo retorna à prática do autor, analisando obras como Screen Mirroring, Céu Espelhado, Espaço para Colorir, A Cabeça do Povo Brasileiro e Dreamings Are Essential Infrastructure. Ao final, a tese compreende o desvio como operação situada, incompleta e vulnerável, capaz de produzir frestas dentro dos próprios regimes de reconhecimento e captura.
Palavras-chave: Simetria; autobiografia visual; endogamia visual; arte afro-brasileira; poéticas visuais.