As vidas de Stella Dallas: uma família de atrizes entre contradições melodramáticas e imaginários protofeministas

Doutorado em Multimeios
Orientando
Leticia Weber Jarek
Orientador
Pedro Maciel Guimaraes Junior
Data
Ter, 15 de dez de 2026 às 09:00hs
Local
Universidade Sorbonne Nouvelle (Salle Athéna, Maison de la Recherche) e por videoconferência
Resumo

Mãe de origem popular, mulher extravagante e desejosa de liberdade, Stella Dallas ultrapassa, em seu excesso e humanidade, o ideal de abnegação materna ao qual acaba por se conformar. Se, no melodrama, o corpo sofredor da heroína se torna o lugar privilegiado de inscrição da lei patriarcal, o que podem fazer as atrizes de um papel que reúne traços, ora contraditórios, ora conciliáveis, de uma mãe tragicamente humana e de um ideal materno? Esta tese reconstitui a genealogia de Stella Dallas por meio das composições das atrizes e investiga a possibilidade de outro destino que não o apagamento. O corpus associa onze filmes (1925-1998), entre adaptações de Stella Dallas e “remakes secretos”, ao romance de Olive Higgins Prouty (1922), à peça teatral (1924) e ao folhetim radiofônico (1937-1955). No cruzamento dos estudos atorais, dos estudos sobre o melodrama e da teoria feminista, as análises fílmicas centradas na atuação se apoiam na pesquisa em arquivos para situar as composições nas filmografias e nas condições de criação coletiva em Hollywood. De Belle Bennett e Barbara Stanwyck a Bette Midler e Julie Kavner, delineia-se uma família entre heranças do espetáculo popular e registros cômicos e melodramáticos. Sem uma progressão contínua rumo à emancipação, as interpretações podem acompanhar ou contrariar o destino reservado às heroínas. As leituras feministas interrogam a capacidade desses filmes de tornar reconhecíveis as contradições vividas pelas mulheres no patriarcado. Delineia-se uma história do melodrama hollywoodiano na qual as atrizes transformam as formas e na qual a persistência do sacrifício alimenta o desejo de outra narrativa.