A presente pesquisa tem como objetivo central identificar aspectos idiomáticos que norteiam o modo de execução da bateria na música de Hermeto Pascoal. A metodologia fundamenta-se em uma abordagem qualitativa, organizada em três frentes de investigação: (i) transcrição e análise de excertos musicais extraídos de gravações em estúdio (álbuns) e/ou apresentações ao vivo; (ii) entrevistas semiestruturadas com os músicos Realcino Lima Filho (Nenê), Marcio Bahia, Ajurinã Zwarg, Itiberê Zwarg, Jovino Santos Neto e André Marques, instrumentistas que integram ou integraram o grupo de Hermeto Pascoal; (iii) consulta a documentários, jornais, revistas e trabalhos científicos relacionados ao objeto de estudo.
Vale destacar que, ao longo de minha formação musical, experienciei processos de aprendizagem prática vinculados à Escola Jabour, primeiramente no Conservatório de Tatuí, por meio do curso Ritmos Brasileiros, ministrado pelo pianista André Marques, e, posteriormente, em vivências na Oficina da Música Universal, sob a orientação do contrabaixista Itiberê Zwarg. Esses processos formativos contribuíram significativamente para a construção de minha identidade musical, o que me conduz à proposta de incluir, como complemento a esta pesquisa, minha experiência como músico pesquisador, por meio da análise de meu processo criativo como baterista do grupo Ciribaí, cuja produção artística tem na linguagem da Escola Jabour uma de suas referências estéticas. Essa perspectiva busca estabelecer relações entre minha prática artística e os aspectos investigados na pesquisa, reafirmando minha estreita relação com a música de Hermeto Pascoal e com a Escola Jabour (Itiberê Zwarg e André Marques).