A presente dissertação analisa a trajetória do Cine Canoas, localizado em São Francisco–MG, entre os anos de 1965 e 1984, buscando compreender de que maneira a sala de cinema se articulou à formação de práticas sociais, culturais e simbólicas em um contexto do interior norte-mineiro. A pesquisa parte do reconhecimento da escassez de estudos sobre a exibição cinematográfica em regiões não centrais do Brasil, lacuna que ainda persiste na historiografia do cinema nacional. Do ponto de vista metodológico, o estudo fundamenta-se na análise do periódico SF-O Jornal de São Francisco, constituído como fonte primária e corpus analítico, permitindo acessar tanto a programação exibida quanto os discursos que mediavam a experiência cinematográfica local. A partir desse material, foi possível identificar a centralidade do cinema na vida social da cidade, não apenas como espaço de exibição, mas como lugar de sociabilidade, encontros e difusão de hábitos culturais. A investigação dialoga com referenciais teóricos que permitem compreender o cinema como prática social e dispositivo de mediação cultural, evidenciando como a frequência às sessões contribuía para a formação de repertórios imagéticos e modos de percepção compartilhados. A pesquisa indica que o Cine Canoas esteve integrado às dinâmicas culturais de São Francisco, participando ativamente da organização da vida coletiva e da circulação de experiências cinematográficas no sertão dos Gerais