A presente pesquisa busca investigar como aproximações do corpo com o chão podem evidenciar potências criadoras. Primeiramente, são investigadas como práticas corporais – como a “prática do chão” na Metodologia Angel Vianna, e a “postura do cadáver”, ou Savasana, na Yoga – estimulam a imaginação, o autoconhecimento e processos criativos. Ao convidarem o horizontalizar do corpo, tais práticas propõem uma perspectiva ética e estética que desafia a visão do ser humano como dominador. Em seguida, do contato íntimo e potente com o chão, o corpo horizontal é impulsionado para verticalizar-se como reconhecimento ético, através da caminhada e da experiência de uma gestação. Finalmente, inclinar-se surge como gesto político de alteridade na criação e no cuidado. A partir de uma metodologia que se apoia na criação como pesquisa, trabalhos artísticos e acontecimentos da vida, como uma gestação, atravessam as reflexões aqui presentes, destacando a característica transformadora, metamórfica, enfim, viva, da pesquisa nas artes da cena e do corpo. As contribuições de artistas e pesquisadoras como Angel Vianna, Ailton Krenak, Steve Paxton, Victoria Pérez Royo e Emanuele Coccia, entre outras, auxiliam no desenvolvimento dessas reflexões.