Glitch e inteligência artificial: crítica da disfunção de redes neurais em duaspeças musicais

Mestrado em Música
Orientando
Matheus Prado Garcia
Orientador
Manuel Silveira Falleiros
Data
Qui, 10 de dez de 2026 às 14:00hs
Local
Sala multiuso do NICS. R. da Reitoria, 165
Resumo

Este trabalho investiga os modelos generativos de redes neurais e a chamada

“inteligência artificial” pela perspectiva artística do movimento glitch de música eletrônica

experimental. Pautado pela contestação do poder manifestado nas tecnologias eletrônicas, o

glitch explora a disfunção tecnológica como elemento estético protagonista, negando a

transparência das ferramentas de áudio ao evidenciar a sua opacidade como conteúdo sonoro.

A “inteligência artificial” é discutida como a combinação da tecnologia de redes neurais com a

big data: extração, armazenamento e processamento de dados pessoais em grande escala,

vinculado ao advento da internet e a plataformização da vida. Esse fenômeno é discutido em

relação ao contexto de colonialismo de dados, que socializa a produção de informação na forma

de dados ao mesmo tempo que se apropria de forma privada dos meios de capturar e processar

esses dados, favorecendo o oligopólio Norte global chamado big tech. Uma crítica à concepção

cognitivista da mente é feita a partir da Teoria da Autopoiese, que compreende a cognição pela

integralidade entre cérebro, corpo e mundo, e pelo paradigma da enação, ou, percepção guiada

pela ação e vice-versa. O glitch é investigado como ferramenta metodológica estética para uma

metacrítica da chamada “inteligência artificial”, pautada pela alegoria da Manguetown presente

na obra de Chico Science & Nação Zumbi. A partir de duas peças musicais utilizando redes

neurais pelo modus operandi glitch e seu processo criativo, apresentamos técnicas de disfunção

da rede neural, particularmente em modelos de síntese sonora, além de compararmos dois

métodos composicionais contrastantes e complementares entre as duas — um não idiomático e

experimental e o outro de produção de música eletrônica. As três técnicas, que chamamos de

retroalimentação, prompt smashing, e data poisoning são discutidas na sua eficiência e

profundidade de disfunção. A crítica presente nas duas peças (Li e aceito os termos de uso e

Lama) é discutida como uma negação da transparência e saturação sonora e linguística.