Esta dissertação, de caráter teórico-prático, investiga como a memória de eventos
traumáticos se manifesta no corpo e na prática performativa. Ancorada na
autoetnografia proposta por Sylvie Fortin, a artista-pesquisadora articula um trauma
pessoal com memória e improvisação em dança e faz a análise dos processos de
criação de três trabalhos cênicos criados e performados por ela após o feminicídio de
sua irmã, a bailarina Maria Glória Poltronieri Borges, Magó, ocorrido em Mandaguari
- PR, em 2020. Os dois primeiros trabalhos cênicos improvisacionais criados,
intitulados Frequências Dimensionais e Testa, abrem uma discussão sobre os
sintomas que modificam a qualidade de movimento e a percepção da artista-
pesquisadora durante o luto, como seu sentimento de fragmentação e a busca por
uma nova identidade. Este percurso se encerra com o espetáculo Amana, em que a
memória traumática é trazida para a consciência e a cena se torna parte da
elaboração do trauma por meio do corpo. O trabalho faz refletir sobre a transformação
de eventos pessoais traumáticos em arte como forma de elaboração dos sintomas
provocados pela experiência. Concomitantemente à pesquisa, foi desenvolvida uma
palestra-performance intitulada Entre o corpo, a memória e o dispositivo, descrita ao
final da dissertação.