Esta dissertação investiga como a interatividade e a natureza dinâmica do áudio nos videogames reconfiguram a percepção afetiva e a construção narrativa na experiência audiovisual do jogador. Fundamentada nos aportes da Musicologia Sistemática, da Cognição Musical Incorporada (Embodied Cognition), do modelo de expectativa ITPRA de David Huron e da Semiótica Musical (Modelo Tripartite de Jean-Jacques Nattiez), a pesquisa estabelece um contraponto entre o consumo contemplativo do cinema e a performance interativa dos jogos digitais. Discute-se a transição da trilha sonora linear para o áudio dinâmico (adaptativo e interativo), explorando recursos de re-sequenciamento horizontal e reorquestração vertical, além do conceito de síncrese kinesônica proposto por Karen Collins, no qual o gesto físico sobre o controle e a resposta sonora fundem-se em uma unidade perceptual indissociável. Para exemplificar essas dinâmicas, o trabalho analisa estudos de caso de diferentes gêneros — como as aberturas de Borderlands, as convenções de temas de batalha em RPGs (Final Fantasy, Persona), a estética do silêncio em jogos da franquia Souls e Death Stranding — e dedica uma análise aprofundada ao jogo digital de Survival Horror Alan Wake 2 (2023). A análise destaca o uso de nervous delay, paisagens sonoras 3D e a sequência de ópera-rock interativa “We Sing”, demonstrando como a música e o sound design atuam como extensões do esquema corporal do jogador, promovendo o protagonismo e a afetação no universo virtual.