O FENÔMENO HALLYU NO BRASIL: CIRCULAÇÃO E CONSTRUÇÃO DE IMAGINÁRIOS CULTURAIS SOBRE A COREIA DO SUL

Mestrado em Multimeios
Orientando
Juliana Pedron
Orientador
Iara Aparecida Beleli
Data
Sex, 04 de dez de 2026 às 14:00hs
Local
Sala 03 da CPG/IA
Resumo

Esta dissertação investiga como a circulação da Hallyu participa da construção, negociação e tensionamento de imaginários culturais sobre a Coreia do Sul no Brasil, tomando como entradas empíricas o grupo BTS e o reality show Meu Namorado Coreano. Parte-se da compreensão de que a circulação cultural não corresponde à simples transferência de produtos entre diferentes territórios, mas constitui um processo de produção de sentidos atravessado por indústrias culturais, plataformas digitais, instituições, fandoms e diferentes públicos. A pesquisa adota abordagem qualitativa e utiliza a análise de conteúdo como principal procedimento metodológico, articulando produtos culturais e audiovisuais, seus contextos de circulação e manifestações públicas selecionadas no X/Twitter, TikTok e Instagram. No caso do BTS, a análise concentra-se no retorno coletivo do grupo em 2026, especialmente no lançamento do álbum ARIRANG, e em sua atuação como mediador cultural em circuitos transnacionais da Hallyu. Em Meu Namorado Coreano, são examinados o enquadramento audiovisual e promocional do reality e a circulação de representações relacionadas à Coreia do Sul, aos homens sul-coreanos e às relações interculturais. Os resultados demonstram que a circulação da Hallyu não produz um imaginário único, estável ou homogêneo sobre a Coreia do Sul. As referências colocadas em circulação pelos objetos analisados tornam-se disponíveis para sucessivos processos de apropriação e ressignificação, podendo ser reiteradas, reorganizadas, idealizadas, ironizadas, recusadas ou tensionadas. O BTS evidencia como referências relacionadas à memória, identidade e pertencimento cultural sul-coreano podem ser reinscritas em produtos de circulação global e negociadas em diferentes contextos, enquanto Meu Namorado Coreano demonstra como repertórios já associados à Coreia do Sul podem ser apropriados por uma produção brasileira e transformados em matéria de negociação audiovisual e social. Conclui-se que a contribuição da Hallyu para a construção de imaginários culturais no Brasil ocorre menos pela transmissão estável de representações do que pela ampliação da disponibilidade de repertórios que são continuamente mediados, apropriados e disputados em diferentes circuitos de circulação.