ecologia_sonora_2026

 Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP
Instituto de Artes – IA
Programa de Pós-Graduação em Música – PPGMus
Instituto de Estudos Avançados – IdEA
Grupo de Estudos do Som e Processos Criativos – GESom
https://www.idea.unicamp.br/grupos-tematicos/grupo-som-e-processos-criativos/

Ecologia sonora: Escuta e conhecimento
24-26/06/2026, Unicamp

Embora os estudos sonoros tenham se expandido significativamente na atualidade, ainda persiste uma lacuna na sistematização do sonoro como regime de conhecimento, especialmente em sua articulação com dimensões ecológicas, sociais e políticas. Neste encontro, propõe-se abordar essa temática a partir de uma perspectiva ampla de ecologia sonora, em diálogo com o conceito de acusiologia, entendida como o estudo do som enquanto acontecimento relacional e produtor de conhecimento.

QUA – 24 jun_____________________________________

09:00 – 09:45 hs IA – Sala DM35 ABERTURA
Prof. Dr. Fernando Hashimoto (Diretor IA)
Prof. Dr. Marco A. Cremasco (Coordenador IdEA)
Prof. Dr. Francisco Zmekhol (Unicamp/PPG-Mus)
Prof. Dr. José A. Mannis (Unicamp/GESom)
Live YouTube 24jun 09h
10:00 – 12:00 hs IA – Sala DM35 PALESTRA : A Voz entre o sensorial e o simbólico
Profa. Dra. Suzel Reily (IA/Unicamp)
Live YouTube 24jun 10h
INTERVALO
14:00 – 15:30 hs
IA – Sala DM35 PALESTRA (online): De l’écologie sonore à l’écosophie sonore: Pour une nouvelle acousiologie
Prof. Dr. Roberto Barbanti (Univ. Paris 8)
Live YouTube 24jun 14hs
15:30 – 17:00 hs IA – Sala DM35 PALESTRA: Ressonância, eco e outros modos de propagação de afetos
Prof. Dr. Tato Taborda (UFF)
Live YouTube 24jun  15:30hs

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Instituto de Artes – IA https://www.iar.unicamp.br/
Rua Elis Regina, 50 – Cidade Universitária – Zeferino Vaz, Campinas – SP, 13083-854

QUI – 25 jun______________________________________

08:30 – 09:30 hs  IA – Sala DM35 ESCUTA: Sound walking – Preparação
Profa. Dra. Marisa Fonterrada (Unesp)
Live YouTube 25jun 08:30h
09:30 – 11:00 hs Trajeto (IA –NICS) Caminhada
11:00  – 12:00 hs NICS Conclusão
Live YouTube 25jun 11h
INTERVALO
14:00 – 16:00 hs NICS PALESTRA: Memorias del presente: Silencios, violencias, escuchas
Prof. Dr. Raul Minsburg (UNTREF, Argentina)
Live YouTube 25jun 14h
16:30 – 18:30 hs NICS PALESTRA: Pantanal Sounds}
Mariana Terena (UFMS)
Prof. Dr. Max Packer (UFMS)
Prof. Dr. William Teixeira (UFMS)
Live YouTube 25jun 16:30h
18:30 – 19:30 hs NICS CONVERSA: Audio Paper Manifesto & HAL – open science
Prof. Dr. Fernando Iazzetta (USP) (online)
Prof. Dr. José A. Mannis (Unicamp)
Live YouTube 25jun 18:30h

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Instituto de Artes – IA https://www.iar.unicamp.br/
Rua Elis Regina, 50 – Cidade Universitária – Zeferino Vaz, Campinas – SP, 13083-854

NICS https://www.nics.unicamp.br/
Rua da Reitoria, 165 – Cidade Universitária “Zeferino Vaz”, Campinas – SP, 13083-872

SEX – 26 jun______________________________________

08:30 – 09:30 hs NICS CONVERSA: Ecologia Sonora e Educação Criativa
Profa. Dra. Marisa Fonterrada (Unesp)
Profa. Dra. Suzel Reily (Unicamp)
Prof. Dr. Raúl Minsburg (UNTREF, Argentina)
Prof. Dr. Tato Taborda (UFF)
Mediação: Ms. Rodrigo Ramos (UFF)
Live YouTube 26jun 08:30hs
10:00 – 12:00 hs NICS MOSTRA SONORA
Ms. Marta Fonterrada (CCSP/Unicamp)
Prof. Dr. William Teixeira (UFMS)
Mariana Terena (UFMS)
Live YouTube 26jun 10hs
INTERVALO
14:00 – 16:00 hs NICS PALESTRA (online): Vers un art documentaire?
Prof. Dr. Makis Solomos (Univ. Paris 8)
Live YouTube 26jun 14hs
16:30 – 18:30 hs NICS PALESTRA-DEBATE: Descarga acústica: do conhecimento sonoro à cultura sonora
Prof. Dr. Cacá Machado (IA/Unicamp)
Debatedores:
Prof. Dr. Stephan Schaub (NICS/IA/Unicamp
Prof. Dr. José A. Mannis (GESom/IA/Unicamp)
Live YouTube 26jun 16:30hs
ENCERRAMENTO

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NICS https://www.nics.unicamp.br/
Rua da Reitoria, 165 – Cidade Universitária “Zeferino Vaz”, Campinas – SP, 13083-872

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RESUMOS

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QUA – 24 jun___________________________________

10:00 – 12:00 hs IA – Sala DM35

Voz/vozes: materialidade, identidade e desafios do habitus

Suzel Ana Reily (Unicamp)

Houve, nas últimas décadas, um crescimento daquilo que poderíamos chamar de “estudos da voz”. Uma temática neste campo aborda a “materialidade” da voz humana, isto é, a sonoridade/timbre da voz, abrangendo qualquer forma de vocalização do ruído à fala e/ou do canto. Com efeito, a voz humana é altamente flexível, capaz de produzir uma vasta gama de sonoridades, muitas selecionadas e integradas às inúmeras línguas e dialetos do mundo bem como a gêneros e estilos de vocalizações expressivas e canto. Para pesquisadores como Feld e Eidshein, a voz é um forte marcador de identidades, revelando diversos aspectos do/a vocalizador/a, como: gênero, classe social, grau de instrução formal, origem étnica/regional entre outros qualificadores identitários. Isto, porque aspectos da materialidade da voz são produtos de uma formação cotidiana, constituindo-se como habitus vocal (Bourdieu) socialmente compartilhado. Em paralelo ao habitus vocal adquirido informalmente no convívio social, há tradições vocais cuja materialidade sonora é desenvolvida a partir de intenso treino de técnicas vocais particulares, técnicas estas que, na prática, instauram um habitus vocal alternativo. Esta nova vocalidade reconfigura a materialidade vocal, mas sua tradicionalidade evoca associação culturais. Há artistas que buscam explorar os potenciais da voz numa tentativa de desafiar os marcadores culturais por meio de performances de sonoridades que transcendem associações estabelecidas. Partindo deste panorama, serão exploradas diferentes estratégias em performances vocalizadas, seja na afirmação de identidades, seja na busca de formas de transcender o habitus vocal e da escuta. Visa-se, nestas explorações, refletir sobre o potencial expressivo da materialidade vocal.

 

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14:00 – 16:00 hs                     IA – Sala DM35

De l’écologie sonore à l’écosophie sonore. Pour une nouvelle acousiologie.

Prof. Dr. Roberto Barbanti (Univ. Paris 8) (online)

L’épistémè occidentale s’est structurée sur la base d’une dynamique sensible et conceptuelle singulière. La vision a été dès le départ le sens dominant et constitutif de cette représentation du monde qui s’est imposée non seulement aux communautés savantes, mais également aux sociétés toutes entières.

L’observation détachée est devenue le pilier de la méthode scientifique. C’est, donc, en regardant la réalité qu’on la comprend et c’est par le biais des yeux qu’on peut « ex-poser » les phénomènes et en déterminer les causes.

Dans le XX siècle, cet héritage socio-épistémique s’est enrichi de nouvelles formes de savoir et d’expérience qui ont progressivement reformulé notre relation cognitive et sensible au monde. Celles-ci ont porté à des conceptions et à des modalités d’interrelation avec la réalité de nature complexe et impliquée dont l’essence relève d’une imprégnation participante. Penser avec et dans le milieu, autrement dit faire état d’un savoir situé, est donc au cœur de cette nouvelle épistémè.

Dans cette ouverture située de la connaissance, qui pense avec et dans le milieu, le son est une référence expérientielle et conceptuelle essentielle. Dans sa nature dynamique, relationnelle et inclusive, à la fois multisensorielle et multidimensionnelle, le son renouvèle notre relation au monde faisant de l’écoute un outil heuristique fondamental. L’écosophie sonore thématise ces questions en essayant de poser des éléments intelligibles et sensibles pour une nouvelle compréhension de la réalité et une nouvelle façon d’y vivre..

 

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16:30 – 18:30 hs                IA – Sala DM35

Ressonância, eco e outros modos de propagação de afetos

Tato Taborda (UFF)

Reflexões comentadas a partir do seu livro “Ressonâncias: vibrações por simpatia e frequências de insurgências”, publicado pela Editora UFRJ, em 2021.

A ressonância ou vibração por simpatia é um fenômeno acústico em que corpos entram em vibração espontânea a partir de sua afinidade com frequências emitidas por outros corpos. No entanto, se pensado como modo relacional ao invés de fenômeno físico, suas manifestações transcendem a acústica, com frequências de afeto se comportando de forma análoga às suas contrapartes físicas.

Entrar em ressonância é deixar-se arrebatar pela identificação de que a frequência de um corpo externo corresponde à sua própria, presente em latência. Assim, considerando que esse arrebatamento pode culminar no colapso de pontes ou levar à catástrofe taças de cristal, um enxameamento de práticas ressonantes pode alcançar potência suficiente para  fazer ruir outras estruturas.

 

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QUI – 25 jun________________________________

08:30 – 12:00 hs      IA – Sala DM35  /  NICS

ESCUTA: Sound walking

Marisa Fonterrada (Unesp)

O passeio sonoro pelo espaço da Unicamp é um convite às pessoas para que participem de um processo de Limpeza de Ouvidos ( Murray Schafer). Após a  experiência do percurso entre o IA e o IdEA, as pessoas serão convidadas a formar grupos para uma vivência de criação musical a partir dos sons escutados. Com esse tipo de atividade, busca-se sensibilizar a escuta e estabelecer relações entre som, território, corpo, memória, comunidade e ecologia, de modo que se compreenda o ambiente sonoro como campo dinâmico de experiências, interações, produção de conhecimento e sensibilidade.

 

Atividade de escuta e criação.

Vamos caminhar em grupo do Instituto de Artes até o NICS, um percurso de 1,5 km (20 min andando – 45 min com paradas). Passaremos por ambientes variados dentro do campus da Unicamp, com vegetação de diferentes espécies. Enquanto caminhamos escutaremos os diferentes ambientes sonoros. Cada participante deve trazer instrumentos e/ou objetos (corpos sonoros).

  1. No início, cada participante vai explorar os instrumentos e objetos buscando sons inusitados. Depois, começamos a caminhada sonora. A cada parada, silêncio, escuta e anotação do que ouviram sem fazer comentários. Trabalho individual. Se tivermos ambientes com diferentes categorias sonoras, melhor ainda!
  2. Terminando a escuta, nos reuniremos no NICS. A turma será dividida em grupos, em função do número de participantes: de dez ou doze pessoas. Só vamos conseguir determinar na hora.

Esses grupos conversarão sobre o que ouviram e selecionaram alguns desses sons. Em seguida, vão pensar como podem interpretá-los com sons vocais, corporais ou de instrumentos e objetos sonoros.

  1. Com esse material criarão uma música resultante da escuta, do percurso, da conversa.
  2. Ao final, no NICS, os grupos apresentarão aos outros suas criações.

 

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14:00 – 16:00 hs                     NICS

Memorias del presente. Silencios, violencias, escuchas.

Raúl Minsburg (UNTREF, Argentina)

En un breve y muy conocido texto, Ana María Ochoa da cuenta que una de las posibles denominaciones para el Siglo XX, sería la del siglo del sonido, así como Jim Drobnik, habla en otro texto del «giro sonoro». Sin embargo, diversos autores con muy diferentes recorridos y orígenes, se han referido a la dificultad de la escucha, de practicar y llevar adelante de manera consciente el acto de escuchar. ¿En qué consiste esta dificultad? ¿cuáles podrían ser las causas de ello?

Pareciera haber un estado de situación en la que esta dificultad de escuchar, de poder ubicarse en otra posición que no sea la de un sordo ensimismamiento, podría no ser solamente la consecuencia de un clima de época sino que, quizás, constituiría la forma de escucha presente en el capitalismo tardío de comienzos del Siglo XXI. O mejor se podría plantear el tema a modo de pregunta ¿Se podría pensar que cierta limitación en la escucha es, precisamente, la característica propia de estos tiempos?4

 

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16:30 – 18:30 hs                     NICS

Projeto Pantanal Sounds

William Teixeira (UFMS)

Max Packer (UFMS)

Mariana Terena (UFMS)

Pantanal Sounds é um projeto internacional de pesquisa artística e criação musical que investiga as relações entre ecologia sonora, performance, composição e novas tecnologias a partir do bioma do Pantanal. Desenvolvido em colaboração entre pesquisadores e artistas de instituições do Brasil, Estados Unidos e França, o projeto combina gravações de campo, composição musical, performance instrumental, eletrônica em tempo real, documentação audiovisual e pesquisa interdisciplinar. A partir das relações entre as dimensões ambiental, social e mental do Pantanal, o projeto busca compreender como as dinâmicas ecológicas são mediadas pelo som, indicando novas direções para a criação musical e a reflexão sobre as relações entre seres humanos e o mundo mais-que-humano. Além da fundamentação teórica do projeto, serão apresentados dois projetos composicionais desenvolvidos no âmbito do projeto: Vidas Breves, de Max Packer, e Emo’u Ihunóvoti, de Mariana Terena.

 

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18:30 – 19:30 hs                     NICS

CONVERSA

Fernando Iazzetta (Usp) (online)
José A. Mannis (Unicamp)

Trata-se se uma apresentação comentada do Audio Paper Manifesto por Fernando Iazzetta e do HAL – open Science por Jose A. Mannis. Iazzetta é um dos editores da chamada AESTHETIC ALLIANCES no Seismograph Journal (https://seismograf.org/sites/default/files/calls/aesthetic-alliances.pdf ) que esta aceitando o formato experimental de Audio Papers proposto por Sanne Krogh Groth (Lund University, Sweden) e Kristine Samson (Roskilde University, Denmark) no Audio Paper Manifesto. Como esta em relação estreita com Sanne Krogh Groth poderá comentar conosco em primeira mão a emergência desse formato e como tem sido recebido pela comunidade cientifica internacional. Após comentário de Roberto Barbanti de que está subindo toda a sua produção para a plataforma HAL, nos interessamos por esse recurso que aceita todos os tipos de suporte, tratando os uma ampla gama de itens (artigo, poster, tese, relatório, imagens, vídeos, arquivos sonoros) com um rigoroso conjunto de metadados e fornecendo um identificador persistente HAL ID concebido para manter um endereço estável e citável ao longo do tempo, desempenhando a mesma função geral de persistência que um DOI, o que permite a localização estável do documento sonoro. A possibilidade de localização estável de documentos sonoros e o formato Áudio Papers abrem possibilidades para ampliação das conquistas de aceitação institucional de conhecimentos sonoros.

Ref: Audio Paper Manifesto

Sanne Krogh Groth (Lund University, Sweden)
& Kristine Samson (Roskilde University, Denmark)

Audio papers resemble the regular essay or the academic text in that they deal with a certain topic of interest but presented in the form of an audio production. The audio paper is an extension of the written paper through its specific use of media, a sonic awareness of aesthetics and materiality, and creative approach towards communication. The audio paper is a performative format working together with an affective and elaborate understanding of language. It is an experiment embracing intellectual arguments and creative work, papers and performances, written scholarship and sonic aesthetics.

                    https://seismograf.org/da/fokus/fluid-sounds/audio paper_ manifesto

HAL – open science

HAL is a multidisciplinary open archive for the sharing of published and unpublished research. It is at the service of researchers in academic institutions, both public and private. In France, HAL is the national archive chosen by the scientific and academic community for the open dissemination of its research results. The repository is also at the service of researchers affiliated to foreign academic institutions, whether public or private.

                    https://hal.science/

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SEX – 26 jun_____________________________

08:30 – 09:30 hs                     NICS

CONVERSA: Ecologia Sonora e Educação Criativa

Rodrigo Ramos (UFF)

A Ecologia Sonora tem ampliado nossa compreensão da música ao deslocar a escuta para além da obra e do instrumento, reconhecendo o ambiente, os modos de percepção e as relações entre seres humanos e não humanos como elementos constitutivos da experiência sonora. Nesse contexto, esta conversa com os pesquisadores e educadores: Raúl Minsburg, Tato Taborda, Suzel Reily e Marisa Fonterrada propõe refletir sobre como os princípios da Ecologia Sonora podem contribuir para uma educação musical de caráter criativo, sensível e experimental. De que maneira a escuta atenta do mundo pode estimular processos de invenção artística? Como a percepção das paisagens sonoras, dos sons cotidianos e das relações ecológicas do ouvir pode transformar a formação de músicos e ampliar suas práticas criativas? A partir de perspectivas que articulam composição, educação, etnomusicologia e ecologia sonora, suas pesquisas sugerem que a atenção às paisagens sonoras, aos sons cotidianos e às relações entre ambiente, cultura e percepção pode estimular processos de invenção artística ao deslocar o músico de modelos centrados exclusivamente na técnica e no repertório. Nesse sentido, a escuta do mundo torna-se matéria-prima para a criação, favorecendo o desenvolvimento da sensibilidade, da imaginação e da consciência crítica sobre os contextos sonoros que habitamos. Ao incorporar experiências de escuta ambiental, práticas de criação com sons do entorno, reflexões sobre diversidade cultural e abordagens pedagógicas abertas à experimentação, a Ecologia Sonora contribui para formar músicos mais atentos, criativos e conectados às complexas redes de relações que constituem a experiência sonora contemporânea.

Raúl Minsburg (UNTREF, Argentina)
Tato Taborda (UFF)
Suzel Ana Reily (Unicamp)
Marisa Fonterrada
(Unesp)

Mediação: Rodrigo Ramos (UFF)

 

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10:00 – 12:00 hs NICS

Mostra sonora

Êxodo e Sobrevivência: O Povo Pankararu

Marta Fonterrada (CCSP/Unicamp)

A instalação sonora Pankararu, êxodo e sobrevivência é um trabalho de edição em áudio imersivo e  espacialização a partir de cerimônia Pankararu realizada no Real Parque, Morumbi. O povo Pankararu, originário de Brejo dos Padres, Tacaratu – PE, participa de processos migratórios a São Paulo e de retorno ao local de origem desde a década de 1940, quando se intensificou o fluxo de deslocamento de trabalhadores do nordeste para as grandes cidades do sudeste (ARRUTI, 1999). Em São Paulo, a maior comunidade deles vive no Real Parque, no Morumbi, onde fizemos a captação de cerimônia em imagem sonora de 360 por ESMA 6.1, desenvolvido por José Augusto Mannis no LASom. O trabalho utiliza também gravações de depoimentos de representantes do povo Pankararu, além de registros do acervo da Missão Folclórica de 1938. Todos os áudios de diferentes épocas e técnicas de captação se encontram  na edição espacializada para contar essas histórias. O objetivo é que a escuta imersiva permita ao ouvinte entender a realidade desse povo, suas crenças, lutas e esperanças. O trabalho envolve a escuta do outro, a escuta da paisagem sonora, a escuta ancestral, cultural e a escuta onírica, dos sonhos.

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Recital Pantanal Sounds

William Teixeira (UFMS)

  • José Henrique PadovaniToté (2025) 9′
  • Roberto VictórioChronos IIIc (1998/2023) [Eletrônica realizada por William Teixeira no IRCAM] 8′
  • Mariana TerenaKíyoi Káxe (2026) 12″
  • Hans Tutschku (re)calling the birds (2026) 15″

Todas as peças são para violoncelo e eletrônica estéreo.

O recital Pantanal Sounds reúne peças que resultam de pesquisas relacionadas à ecologia sonora do Pantanal. As peças de José Henrique Padovani e Hans Tutschku são oriundas de uma primeira missão realizada em 2023 com financiamento do David Rockefeller Center for Latin American Studies, da Universidade de Harvard, que permitiu uma residência de compositores, artistas e pesquisadores na Base de Estudos do Pantanal da UFMS e fomentou o intercâmbio de experiências, metodologias e poéticas. A peça Toté (nome terena do pássaro Aracuã) reconstrói o território sonoro gravado inserindo o violoncelo como parte do ecossistema e não à frente dos demais sons. Já a peça (re)calling the birds constrói um enredo musical onde o violoncelo-pássaro procurar seu território – tanto geográfico quanto afetivo – após a devastação, porém encontra apenas suas memórias. A peça Chronos III pertence a uma série de peças para instrumentos solo escrita por Roberto Victório como testemunho musical de suas vivências junto ao povo Bororo, no norte do Pantanal, construindo uma experiência temporal que remete ao tempo ritual por ele vivenciado em suas celebrações. A parte eletrônica da peça foi idealizada pelo compositor em 2010, mas foi viabilizada apenas em 2023, quando o violoncelista William Teixeira, em residência no IRCAM, adotou o sistema de inteligência artificial co-criativa Somax2 para criar uma interação que fizesse jus ao estilo do compositor e suas relações sonoras. Finalmente, a peça de Mariana Terena é um resultado de sua pesquisa de mestrado e da parceria da UFMS com a Universidade Paris 8, por meio de Makis Solomos, realizando uma jornada espiritual e sonora em torno da questão “como uma árvore escuta o mundo?”.

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14:00 – 16:00 hs                     NICS

« Vers un art documentaire? »

Makis Solomos (Univ. Paris8) (online)

Depuis la fin des années 1990 et le début des années 2000, on assiste à un « tournant documentaire » de l’art – ailleurs bien sûr que dans le genre bien connu du documentaire cinématographique. Les arts visuels ont, les premiers, généralisé l’usage du document. Depuis, cet usage s’est étendu ailleurs : « Les pratiques documentaires sont aujourd’hui multiformes (de l’installation multimédia à la lecture-performance) et trans-artistiques, combinant des médiums qui ne leur étaient pas habituellement associés. L’art documentaire n’est donc plus spécifiquement rattaché au cinéma ou aux arts visuels, il devient un genre au théâtre, en danse, en littérature, dans la bande dessinée… Son hétérogénéité constitue sa force » (S. Phay, 2024). Le besoin de réel dont il témoigne serait-il l’indice d’un tournant plus général de l’art, renonçant à l’abstraction de l’art moderne et au simulacre de la parenthèse postmoderne ? Nous aborderons plusieurs cas d’étude où le son se présente comme connaissance du monde, de la nature, des humains et des plus-qu’humaines.

[1] Pour des pratiques dans plusieurs arts ou des pratiques interdisciplinaires, cf. E. Balson, H. Peleg (éd.) (2016) ou A. Caillet, F. Pouillaude (éd.) (2017) ; pour la littérature, cf. L. Ruffel (2012) ou L. Demanze (2019) – ce dernier ne parle pas de « documentaire », mais d’« enquête » ; pour le théâtre, cf. C. Martin (2013) ; pour le renouveau de la pratique documentaire dans le cinéma, cf. D. O’Rawe (2016). Pour la musique et les arts sonores, citons P.-Y. Macé (2012).

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16:30 – 18:30 hs                NICS

Descarga Acústica: do conhecimento sonoro à cultura sonora.

Cacá Machado (Unicamp)

A partir da posição de observador, o exercício da escuta das diferentes mesas e palestras deste encontro será o material sônico para uma reflexão sobre as diferentes perspectivas em torno do conhecimento sonoro. Neste sentido, o processo interpretativo proposto aqui nos aproximará daquilo que denominamos como cultura sonora, isto é,  uma noção que deve ser compreendida como o conjunto de práticas, percepções e concepções associadas às sonoridades e às escutas de uma dada comunidade ou sociedade em determinadas circunstâncias históricas. Trata-se, portanto, de destacar as dimensões sonoras da vida social, de sua reprodução e, consequentemente, de suas dinâmicas históricas. Esse território inclui não só a produção e a percepção dos sons ambientes, mas também os imaginários sonoros, as epistemologias do som, as práticas auditivas e suas tecnologias, as escutas impostas ou compartilhadas, a (in)audibilidade de certas culturas e/ou grupos sociais, a organização musical dos sons e as formas como eles são percebidos e difundidos.

Seguido de debate com:

Stephan Schaub (Unicamp)
José A. Mannis (Unicamp)

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ENCERRAMENTO