Corpos / Fluxos / Rastros

Galeria de Arte Unicamp/IA
apresenta

DANIEL RYO ANDRÉ LOUZAS
As ruas inundam a história da fotografia. Desde o nascimento dessa imagem técnica, no século 19, os fotógrafos trafegam pela riqueza visual do contexto surgido com as cidades modernas, flagradas nas suas expressões de vida, dinamismo, contradições e injustiças.

Esta exposição reúne trabalhos de duas pessoas que fazem de uma relação particular com o espaço urbano a gênese de sua produção. Daniel Ryo enreda seu olhar nas multidões, enfrentando o desafio de captar a dinâmica de cenas nas quais ele está imerso por inteiro. André Louzas explora a força expressiva dos vestígios deixados pelos processos urbanos, em reflexos, sombras, ruínas e pichações.

 


 

DANIEL RYO
danielryo (arroba) iar (ponto) unicamp (ponto) br
Defesa de Mestrado em Multimeios:“O guardador de pessoas – um passeio pelas multidões”26 de fevereiro 2004, às 10 horas.Orientador: Prof. Dr. Fernando de Taccaexposição: 18 de fevereiro a 03 de março de 2004

O guardador de pessoas – Daniel Ryo

O ad plures ire dos romanos, ir às multidões, que, segundo Walter Benjamin, se movem ou aglomeram com um mesmo fim.

O flâneur, aquele que passeia. O outro, este do olhar que significa e que, somado aos vários outros, exercerá uma serialidade: assim, todos a mirarem o fotógrafo configurarão multiplicidades de pontos de atenção, o punctum, através do olhar. Estando longe, o olhar regride, e as pessoas se constituirão tal como pontos, na maneira de um modelo perceptivo análogo à abstração.

O homem-médio, este comum que desejará ser um homem publicizado, midiatizado, vindo a conformar a multidão de mídia.

O guardador, como um deus que faz infletir os olhares para si, é o fotógrafo, o analogon da figura divinizada, ou o próprio mecanismo do aparato, que institucionaliza os ditames humanos a se oporem, inventarem ou imitarem-se entre si.

leia artigo na Revista Studium


ANDRÉ LOUZAS
louzas (arroba) reitoria (ponto) unesp (ponto) br
A exposição faz parte do Mestrado em Multimeios:“Cidade, Floresta de Índices”,apresentado em dezembro de 2003Orientador: Prof. Dr. Roberto Berton de Ângelo

 

exposição: 18 de fevereiro a 03 de março de 2004

CIDADE, Floresta de índices – ANDRÉ LOUZAS

O olhar faz parte do corpo. A visão envolve movimento, desejo, sentimentos, valores. A foto é o cruzamento imprevisível de duas vias, uma técnica e outra humana, na interação entre aquilo que as lentes captam e o que o fotógrafo traz para a imagem – com seu modo de se relacionar com as coisas, as pessoas, a câmera e a sua própria cultura.

As fotos deste ensaio dialogam com o Surrealismo, na sua intenção de fazer da arte uma fagulha produzida pelo contato direto com a vida. Dialogam com as Ciências Humanas, na sua preocupação de, a partir de resquícios e sintomas, chegar ao conhecimento de um fenômeno. Conversam intimamente com fotógrafos que (como diz Walter Benjamin a respeito de Eugène Atget) fazem de suas imagens o flagrante da cena de um crime, do qual, em maior ou menor grau, todos os habitantes na cidade são participantes: o fluxo voraz da história.

 

Leia matéria publicada no Jornal da Unicamp