Apokalypsis | Derivas Continentais

A Galeria do Instituto de Artes – GAIA/UNICAMP convida para as exposições que ocorrerão no mês de junho de 2017.

 

 

 

“Vejo a arte como essencialmente transcendente. Falo de um estado alterado de percepção e de consciência, de um ir além do humano, atravessando pela corda atada sobre o abismo. Ela é o que se manifesta no plano material, sensorial, fenomênico, apontando a direção vertical e ascensional, para um devir fora do corpo, fora da Fisis, para o céu e além do céu na direção da Terra Incógnita de nossa Mente. É o que aqui apresento como rastro de experiências visionárias, nas pinturas,nas esculturas e nos desenhos.”

Boccara – Outono de 2017

 

Programação paralela (todos os eventos acontecerão na Galeria de Arte do Instituto de Artes – GAIA/UNICAMP)

Dia 19 de Junho 14h00

Sessão de modelo vivo com Bruna Rechia, interpretando em expressão corporal as poses das figuras das pinturas em exposição para os alunos da disciplina AP 304 Desenho Artístico, aberta a participação de alunos do curso de Artes Visuais do Instituto de Artes.

Dia 22 de Junho 9h00

Sessão de modelo vivo com Bruna Rechia interpretando em expressão corporal as poses das figuras das pinturas em exposição para os alunos da disciplina AP 103 Pintura I, aberta a participação de alunos do curso de Artes Visuais do Instituto de Artes.

Dia 22 de Junho 14h00

Palestra para os alunos da Pós Graduação da Disciplina DE 016. Aberta a participação de alunos do curso de Artes Visuais do Instituto de Artes.

 

“Pelos caminhos ‘artificiais’, ‘culturais’, os homens caminham altivos rumo a um destino que eles próprios projetaram. Pelos caminhos ‘naturais’, os homens caminham seguindo os passo de seres ignorados ou vagamente intuídos, rumo a um destino ignorado e vagamente intuído.” (FLUSSER, Vilém. Natural:mente. São Paulo: Anna Blume, 2011, p. 14.)

E aos caminhos recorremos. A exposição, Derivas Continentais, é um trabalho conjunto dos artistas, Fernanda Flores e Felipe Castro, que propõe um olhar poético sobre os fenômenos de transformação da paisagem e os afetos gerados pela experiência de se deixar atravessar por eles. Entre as obras expostas encontram-se fotografias, desenhos e objetos que foram produzidos em um processo criativo de campo que envolve registro e coletas. A deriva continental é o nome da teoria proposta pelo geólogo alemão, Alfred Wegener. Em seu livro, A Origem dos Continentes e Oceanos (Die Entstehung der Kontinente und Ozeane), publicado em 1915, Wegener afirma que os continentes estão em constante movimento, estão na verdade, à deriva. A configuração atual das cadeias montanhosas ou do mar é transitória, apenas um instante na dança da tectônica de placas. Dessa forma, o projeto busca conciliar e entender o tempo peculiar de cada coisa, sua distensão no espaço e seu caminho. Da concha às cordilheiras, do homem à maré. A geologia ensina que as fronteiras são flutuantes e que cabe a nós decifrar as coordenadas, intuir os sentidos e intensidades desse mapa que se transforma constantemente. As imigrações assim como as derivas da terra são mecanismos naturais capazes de criar subjetividades novas que são profundamente marcadas pelos territórios de origem. Para Fernanda Flores o ponto de partida foi um roteiro de viagem em território Italiano em busca de lugares e histórias dos ascendentes das famílias Barbano e Marchetti, que migraram no final do século XIX para o estado de São Paulo – BR. A trajetória foi feita passando por pequenas cidades rurais da Itália na região de Basilicatta, em especial as cidades de Tornareccio e Maschitto. Para Felipe Castro pode-se dizer que o projeto começou quando ainda frequentava o curso de geologia em 2013. As constantes viagens de campo necessitavam sempre de croquis, coletas, anotações, além de uma observação sensível da paisagem. Por vezes era necessário perder-se. A partir do deslocamento dessa prática para o trabalho artístico é que se formou o substrato para o processo criativo dos trabalhos. Dos caminhos – coletas e registros fotográficos voltaram nossos olhares aos fatores que marcavam o espaço, as distâncias, os trajetos e as passagens. As trilhas em meio a vegetação, o mar, suas rotas e os continentes são marcas de presenças e movimentos.

Felipe Castro e Fernanda Flores, 2017