Representação: Aproximações

REPRESENTAÇÃO: APROXIMAÇÕES

Maria Del Carmen Bosque

Possui graduação em Artes Plásticas com Licenciatura Plena pela Faculdade de Belas Artes de São Paulo (1978). Mestrado (2005) e Doutorado (2012) pelo programa de pós-graduação em Artes da Universidade Estadual de Campinas-UNICAMP. Atua como professora de Arte do Ensino Público Estadual e Particular do Município de Piracaia/SP. Áreas de interesse: pesquisa em arte, processos criativos, desenho, pintura e gravura.

Trato de relatar acontecimentos visuais e plásticos: o movimento, os dias claros, a montanha persistente, o vidro reflexo, a luz, a cor.
Entendo o relato como contar uma história verídica com uma grande dose de interpretação pessoal, onde muitas vezes o contorno da realidade ou da aparência real se perde e dá lugar ao ilusório. Não com o sentido de falso, mas de devaneio.
O olhar e imaginar ao mesmo tempo, entregar-se à fantasia talvez…”

 

Walkiria Pompermayer

Possui graduação, Bacharelado e Licenciatura Plena em Educação Artística pelo Instituto de Artes da Universidade Estadual de Campinas-UNICAMP (1997). Mestrado em Poéticas Visuais (2005) e Doutorado pelo Departamento de Pós-graduação em Artes da Universidade Estadual de Campinas- UNICAMP (2013). Atua como docente da FAAL – Faculdade de Administração e Artes de Limeira-SP, com ênfase em Prática de Ensino de Artes. Atual responsável Técnica da Galeria do Instituto de Artes da UNICAMP, onde desenvolve também a coordenação do Serviço Educativo.

Apresento apreensões sobre novas articulações pessoais com a linguagem visual, tendo o uso da cor como elemento principal no percurso de criação artística. Alguns resultados apontam para a dissolução da figuração e abertura de espaço para soluções voltadas para a abstração, dissociadas da paisagem real registrada por meio do desenho de observação e potencializadoras de uma nova representação na pintura.
Observo umas coragens… o rosa ao lado do amarelo claríssimo.
Nada de passagens amistosas nessa nova mistura de cores.
Quero um dado novo, um desafio de tinta pura e independente.
Independente também do lugar. E sem sombras.”

André Tavares

Possui graduação em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais (1995), mestrado em História pela Universidade Estadual de Campinas (2000), doutorado em História pela Universidade Estadual de Campinas (2006) e doutorado em Artes pela Universidade Estadual de Campinas (2009). Atualmente é professor do Curso de História da Arte da UNIFESP, tendo atuado na Pós-graduação em Artes Visuais da Fundação Armando Álvares Penteado e da Universidade Cruzeiro do Sul.

“Os desenhos que apresento nesta exposição são o resultado de meu interesse pessoal pela narrativa fantástica, pela linguagem da gráfica dos séculos XV-XVIII e pela escultura seja aquela em terracota, que circulava entre Grécia e Roma – o que é mais perceptível na série de cadernos elaborada entre 2007-2013 – ou a escultura dos séculos XVII e XVIII no âmbito português e brasileiro. Deste interesse pelo repertório artístico do passado, caminho para a invenção de personagens imaginários, frequentemente associados ao universo das alegorias, mas sempre comprometidas com o universo literário. Alguns dos desenhos foram produzidos no âmbito de minha pesquisa para o Doutorado em Artes no IAR-UNICAMP (2005-2009) cujo tema eram os limites entre narrativa e artes visuais.”

Bate- papo com os artistas: dia 09/05 – quinta feira, às 10h30.



O desenho por três caminhos
Pensar a representação ou a figuração diante das obras aqui apresentadas pode parecer uma tarefa difícil. Em cada uma delas as questões relacionadas à construção do espaço estabelecem diferentes caminhos, diferentes olhares que parecem, num primeiro momento, não ter quase nada em comum. Porém, um olhar mais atento nos revela outra realidade.
Através das massas de cores com que Walkiria constrói suas paisagens, que ora se adensam, ora de diluem quase desvanecendo, o movimento das linhas que descrevem o olhar inquieto e intenso de MaryCarmen na descrição de sua paisagem cotidiana e sua multiplicidade de acontecimentos ou ainda as formas vigorosamente modeladas com que André, investiga intimamente o estado de espírito de seus personagens podemos estabelecer uma tese. Afinal, estamos diante de uma produção que foi realizada no programa de doutorado em Poéticas Visuais de nossa universidade.
A tese, como hipótese inicial, é que o desenho deve configurar, irradiando com todos os seus traços, rumo à pintura e à poesia uma maneira de construção do pensamento. A experiência organizada do que se apreende e do que se ensina está aqui apresentada. O desenho, ainda hoje permanece entre a mão, o coração e o cérebro. Ainda hoje o desenho solicita de todos os desenhistas arte e técnica, porém, como sempre, significa muito mais que isso. Fica aqui o convite para que cada um de nós possa percorrer esses três caminhos do desenho e compartilhar as afetividades eletivas e inventivas desses três amigos.
Lygia Eluf
Abril, 2013.